Eis uma obra universal. Sua beleza e inigualável escrita foram a mim apresentadas por ocasião de um breve curso de música popular brasileira, em meados de 2005. Sua primeira edição, de 1991, publicada pela Companhia das Letras, eternizava no ocre da capa a imagem consagrada de duas das maiores mentes do último meio século (Jobim e Gilberto), em contraste com o primeiro compacto do movimento (termo que carrega no ventre múltiplos significados) de maior relevância na música popular do Brasil: "Chega de Saudade".
De título homônimo, o livro de Ruy Castro poderia ser elogiado por sua fluidez de linguagem, com doses cavalares de informação sobre a cultura brasileira nas décadas de 30 a 60, ou pelo panorama completo da formação, consolidação e consagração da Bossa Nova como movimento musical e espírito de uma época. Vai além: é o resultado de uma pesquisa árdua, sangrenta, tipicamente castreana (vide as biografias de Carmen Miranda e Nelson Rodrigues, ou o inimitável “Saudades do Século XX”), que envolveu entrevistas como compositores, músicos, cantores, amigos e demais prosélitos da Bossa Nova.
A leitura concilia paixões, traições, amores e desamores, comicidade e tragédia. Uma surpresa a cada revelação de Jobim, Alf, Vinicius, João, Ronaldo, Nara e outros tantos, tão intimamente onipresentes nas nossas alegorias nostálgicas. Obviamente, o menino de Juazeiro que eternizou Ipanema é tratado pelo autor como um capítulo aparte, quase confundível com a própria geração que o cerca. Todos os caminhos levam a João Gilberto:
De título homônimo, o livro de Ruy Castro poderia ser elogiado por sua fluidez de linguagem, com doses cavalares de informação sobre a cultura brasileira nas décadas de 30 a 60, ou pelo panorama completo da formação, consolidação e consagração da Bossa Nova como movimento musical e espírito de uma época. Vai além: é o resultado de uma pesquisa árdua, sangrenta, tipicamente castreana (vide as biografias de Carmen Miranda e Nelson Rodrigues, ou o inimitável “Saudades do Século XX”), que envolveu entrevistas como compositores, músicos, cantores, amigos e demais prosélitos da Bossa Nova.
A leitura concilia paixões, traições, amores e desamores, comicidade e tragédia. Uma surpresa a cada revelação de Jobim, Alf, Vinicius, João, Ronaldo, Nara e outros tantos, tão intimamente onipresentes nas nossas alegorias nostálgicas. Obviamente, o menino de Juazeiro que eternizou Ipanema é tratado pelo autor como um capítulo aparte, quase confundível com a própria geração que o cerca. Todos os caminhos levam a João Gilberto:
“Sua mãe devia ter razão em acha-lo, porque ele vivia esquecendo livros,cadernos e canetas pela rua. Certo dia, Joãozinho saiu com um par de sapatos novos e d. Patu recomendou-lhe, meio sério, meio de brincadeira , que não fosse perdê-los. Os moleques estavam jogando uma pelada no campinho e o convidaram para participar.
Joãozinho tirou os sapatos para jogar , mas lembrando-se do que sua mãe lhe dissera, enterrou-os na areia, para não perdê-los. Ao fim da pelada , foi procurá-los e não se lembrou onde os havia enterrado.Voltou descalço para casa e levou uns daqueles pitos inesqueciveis.
Aos onze anos, em 1942, seu pai mandou-o para um colegio interno,o PADRE ANTONIO VIEIRA, em Aracaju. Não se pode dizer que Joãozinho fosse um aluno brilhante: latim e geometria,decididamente, não era com ele. Estava muito mais interresado em torcer por um time de futebol local, o SILVESTRE, e em formar conjutos locais como colegas. Aos 14 anos, numa das férias em Juazeiro, um padrinho boêmio deu-lhe um violão. Era o que ele precisava.”
Chega de Saudade é um relicário de emoções ininterruptas. A leitura de cada parágrafo alimenta o desejo pelo próximo. Contudo, é necessária uma advertência: se você não gosta de ouvir ou ler sobre Bossa Nova, leia Paulo Coelho, Zibia Gasparetto ou ouça Chiclete com Banana !?!? Chega de Saudade é para os iniciados, os saudosistas, aqueles que nasceram (e sabem disso) com alguns anos de atraso, e para quem gosta de contemplar o silêncio, de preferência, com o “pac-tupac, tupac" e o "din, don” das batidas do violão.


