quarta-feira, 22 de outubro de 2008

MORREU HOJE O VERDADEIRO INVENTOR DO CUBISMO


Por Lucia Hippolito, da CBN/O Globo.


1906 – Paul Cézanne, pintor francês.


Nascido em Aix-en-Provence, em janeiro de 1839, chegou a freqüentar o curso de direito, mas interrompeu porque queria ser pintor.
Em 1861 foi estudar em Paris, na Academia Suíça. Conheceu Camille Pissarro, que o incentivou a desenvolver a técnica impressionista em suas pinturas.
Voltando à Provence no início da década de 1880, afastou-se dos impressionistas e começou a desenvolver uma nova fase em sua carreira, chamada por ele de fase construtiva.
Pintou uma série de telas do monte Santa Vitória, as séries do Arlequim e das Cinco banhistas, a famosa tela chamada A ponte Maincy, muitos retratos, auto-retratos (acima, um dos mais expressivos) e naturezas-mortas.
Em 1890 começou a ter problemas de saúde. Passou, então, a desenvolver uma técnica, que muitos críticos de arte acreditam ter inspirado o cubismo – nesta fase, pintou nesta fase Jogadores de baralho.
Morreu de pneumonia em 22 de outubro de 1906, em sua terra natal.
Um ano depois, foi organizada em Paris uma grande exposição com seus quadros, que provocaram grande impacto em muitos artistas, entre eles, Henri Matisse e Pablo Picasso.
Cézanne foi um visionário, um artista à frente de seu tempo. Seu estilo inventivo, o uso da perspectiva, da composição e da cor influenciaram profundamente a arte do século XX.



Leituras afins:


Cézzane. Autor: Hajo Düchting. Editora: Taschen Do Brasil. 2005. 224 p.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

LIVRO DO DIA: ENSAIOS REUNIDOS - OTTO MARIA CARPEAUX (1942-1978)


Por Jonas Lopes


Tivesse atuado em um país em que a cultura é tratada com o respeito que merece, Otto Maria Carpeaux seria objeto de constantes homenagens em Academias de Letras e daria nome a diversos Centros Acadêmicos de jornalismo país afora. Como trabalhou no Brasil, onde erudição é quase palavrão, o jornalista (que nasceu na Áustria, mas viveu seus últimos 37 anos entre nós) só é lembrado pelos intelectuais, e em ritmo de conta-gotas. Vale a pena, contudo, aproveitar cada gota. A última delas é o aguardado segundo volume dos seus Ensaios Reunidos, lançado pela editora Topbooks, em parceria com a UniverCidade, longínquos nove anos depois de lançado o primeiro volume (esgotado nas livrarias). Culpa da má condição de conservação dos jornais de onde foram tirados os artigos.É um catatau de respeito, mais de 900 páginas, num total de 205 textos, escritos entre 1946 e 1971. Enquanto o primeiro volume reunia seis livros de crítica literária, o segundo é mais variado: traz ensaios publicados na imprensa sobre uma gama de assuntos, de filosofia a religião, de artes plásticas a poesia, de economia a sociologia. Ensaios Reunidos traz, por fim, três prefácios, sobre Manuel Bandeira (de 1946), Goethe (1948) e Hemingway (1971). O crítico contrariava a teoria (tão em voga na pós-modernidade) de que é impossível se especializar em mais de um assunto e que a melhor solução é ter uma noção superficial de cada um. É claro que é complicado comparar a situação de um jornalista hoje com a de um que atuou há décadas atrás - antes da internet e da avalanche diária de informações. Ainda assim, a bagagem intelectual de Carpeaux é assustadora. Não são poucos os brasileiros que o comparam - e alguns até o preferem - a Edmund Wilson, também famoso pela pluralidade de conhecimentos. Os partidários do "austro-brasileiro" garantem que, caso fosse norte-americano, francês ou inglês, seria tão conhecido no exterior quanto Wilson. De literatura e música erudita, Carpeaux sabia literalmente tudo. Escreveu sobre esses assuntos duas enciclopédias: História da Literatura Ocidental ("uma obra sem paralelos no Ocidente", glorifica o jornalista Sérgio Augusto) e Uma Nova História da Música. Era também especialista em política. Foi socialista convicto quando jovem e apesar de ter abandonado a ideologia, nunca deixou de lutar pela liberdade de opinião. Escreveu editoriais ferozes no Correio da Manhã contra o governo militar durante a ditadura e apoiava as passeatas organizadas por estudantes. Os únicos assuntos que não o interessavam eram cinema, futebol e música popular. A grande qualidade de Carpeaux, aquilo que faz com que ele mereça tanto disputar o título de maior crítico literário brasileiro, era a acuidade, a habilidade em abusar dessa erudição ilimitada e, ao mesmo tempo, escrever com a simplicidade de um bom texto jornalístico. Afinal, lembremos que boa parte dos textos de Ensaios Reunidos foi publicada em jornais como Correio da Manhã e O Estado de S.Paulo. Não há, portanto, vícios acadêmicos, intermináveis notas de rodapé, termos rococós e/ou prolixos e análises impenetráveis. Os ensaios são relativamente curtos (entre duas e cinco páginas) e aliam densidade analítica e clareza de linguagem em doses equivalentes. A quantidade de nomes de escritores, compositores, filósofos, historiadores e políticos citados por Carpeaux não deve ser lida como pedantismo. E se às vezes ele nos tira do sério com uma afirmação polêmica, como quando despreza os arabescos de Mozart ou afirma que "Chopin não é um Beethoven, tampouco é um Wagner ou um Debussy, não tinha o gênio dramático que aqueles três manifestam", na frase seguinte nos encanta: "(Chopin) não é dramaturgo e sim poeta lírico, e por isso as teclas brancas e pretas começaram a cantar quando tocadas pelas suas mãos, e atrás do mecanismo da grande caixa preta descobriu-se a alma que nela está presa". Carpeaux gostava de adentrar ângulos inexplorados dos assuntos - relaciona, por exemplo, Balzac ao marxismo e analisa os trechos bíblicos que poderiam ser transformados em contos literários. Nascido em 1900, Otto Maria Karpfen deixou a Áustria em 1938, quando o país foi ocupado pelos nazistas. Apesar de não ser judeu (tinha formação católica), foi perseguido por ter trabalhado como secretário particular do ex-primeiro-ministro Engelbert Dollfuss. De seu período na Europa, o causo mais memorável foi o seu encontro com Franz Kafka em Berlim, em 1924. Curioso em saber quem era aquela figura interessante e desconhecida, Carpeaux foi informado de que se tratava de um escritor de Praga, "que publicou uns contos que ninguém entende". Depois de algum tempo fugindo pela Europa, Carpeaux chegou ao Brasil em 1939, sem saber uma palavra de português. Em três anos aprendeu a língua (já dominava outros dez idiomas), afrancesou seu sobrenome, estudou tudo que deveria saber sobre o país e em 1941 se viu pronto para estrear na imprensa tupiniquim. Ofereceu ao Correio da Manhã um artigo justamente sobre Kafka, o primeiro texto sobre o autor tcheco publicado no Brasil. O crítico teve a sorte de aportar no país naquele que talvez tenha sido o melhor momento da história da inteligência brasileira. Atuavam nessa época abençoada os críticos Álvaro Lins, Antonio Candido e Wilson Martins (os dois últimos ainda estão vivos), os antropólogos Gilberto Freyre e Sergio Buarque de Holanda, os romancistas Graciliano Ramos, Clarice Lispector e Guimarães Rosa e os poetas Carlos Drummond de Andrade, Vinicius de Moraes e João Cabral de Melo Neto. Sua grande vantagem é que já chegou com uma boa bagagem de cultura estrangeira. Só precisou correr atrás dos clássicos da nossa literatura. Carpeaux era introspectivo e saía pouco de casa, o que também explica a sua alta produtividade. O principal motivo da retração: era terrivelmente gago, o que lhe causava constrangimentos. Carlos Heitor Cony, em crônica publicada na Folha de S. Paulo, relata uma viagem que fez com o amigo por Minas Gerais em 1966: "Na viagem à capital mineira, Carpeaux ao meu lado, ele citou Kierkegaard. Começou a falar quando saímos de Juiz de Fora, "Ki...Ki...Ki..." e só completou o nome do autor dinamarquês em Barbacena, uns 80 quilômetros adiante". Além da gagueira, ele e a esposa (uma cantora de ópera) não gostavam de deixar sozinhos em casa os amados cães e gatos ("Eh-eh-eu nã-nã-não tenho a me-me-menor dú-vida de que-que-que eh-eh-eles sã-sã-são me-me-melhores do-do que-que os se-se-seres hu-hu-humanos", recorda Sérgio Augusto). Por essa insociabilidade, os contemporâneos de Otto Maria Carpeaux perderam a chance de conviver com uma mente abençoada. Ganhou a posteridade, que herdou um legado prolífico e luminoso. O que Carpeaux escreveu sobre: Kafka: "A incomensurabilidade do mundo material e do mundo espiritual - eis a atmosfera de Kafka. A ordem do Universo está perturbada quando espíritos aparecem no mundo da matéria; nisso, todos concordam. Conforme Kafka, 'só o mundo espiritual existe; o chamado mundo material é a encarnação enganadora do Demônio' - quer dizer, a ordem do universo de Kafka está perturbada porque corpos e objetos materiais aparecem entre os espíritos. Neste sentido, as ruas e casas das nossas cidades estão povoadas de espectros, dos quais os limpa-chaminés são os mais tremendos. Todos nós estamos misteriosamente transformados assim como Gregor, na Metamorfose, está transformado num inseto gigantesco e horroroso. Conforme aquela 'interpretação teológica', a Justiça mais injusta (no Processo) e a burocracia mais mesquinha (no Castelo) seriam transformações de executores da ira divina contra a humanidade culpada (...) O Deus de Kafka seria o próprio Diabo. Mas, no fundo, é só um gigantesco limpa-chaminés". Schubert: "As melodias de Schubert são em geral de simplicidade diatônica; aí está a parte espontânea, instintiva de sua arte. Mas, para compreender-lhes bem o sentido poético, é preciso dar atenção ao acompanhamento ao piano. No lied Despedida, que fala de uma despedida para sempre e de cavalos que esperam fora da porta - talvez sejam cavalos fúnebres -, o acompanhamento é uma pequena sinfonia de pateados impacientes e acordes sinistros, culminando numa dissonância audaciosa (lá menor e mi bemol maior ao mesmo tempo). Acordes assim, 'moderníssimos', oscilando entre menor e maior, são freqüentes na música de Schubert; transformam-lhe a melancolia comum dos bêbados em angústia demoníaca. Cai a noite e a gente desce daquelas colinas, procurando no escuro a cidade iluminada. Canções alegres perturbam, então, o silêncio dos bosques; mas o bêbado está em perigo de perder o caminho. Para Schubert, a noite significa profundidades noturnas, demoníacas, da obsessão". Vermeer: "O nome de Jan Vermeer van Delft é caro aos amigos da pintura. É verdade que esse mestre holandês da segunda metade do século XVII não possuía a profundidade religiosa de Rembrandt; basta comparar os apóstolos de Emaús deste último - a luz mística em torno da cabeça do Cristo, incendiando as tristes trevas que envolvem os apóstolos proletários - com o pobre quadro, no Museu Boymans, em Rotterdam, em que Vermeer representou a mesma cena, transformando-a em ceia de três camponeses triviais. Tampouco sabia o pintor de Delft conferir aos seus quadros o esplendor dos mestres da Renascença: estes transfiguraram os homens em personagens mitológicos, enquanto a deusa Diana de Vermeer, no Mauritshuis, é uma senhora insignificante, tomando banho de pés. Vermeer não era da estirpe dos lucíferes mediterrâneos nem daquela outra de profetas nórdicos. Só era pintor, só. Pintou cenas da simples vida caseira: moças, uma cozinha, a porta da rua".


FICHA TÉCNICA:

Preço sugerido: R$ 75,00
Autor: Otto Maria Carpeaux
Editora: TOP BOOKS
Ano de Edição: 1999
Nº de Páginas: 930

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

UM POETA AFORTUNADO


Por Silvia La Regina - UFBA

Hoje em dia, após muitos anos de uma intensa querelle, Gregório de Mattos e Guerra é unanimemente reconhecido como o maior poeta brasileiro do século XVII, assim como um dos mais importantes escritores barrocos de expressão portuguesa. A bibliografia sobre o autor inclui mais de trezentos títulos e, alem de numerosas edições nacionais das obras do poeta, existem traduções para vários idiomas, como o alemão, o francês, o italiano e ate o chinês. Infelizmente, apesar de sua importância, a obra de Gregório de Mattos ainda não foi objeto de uma edição critica, ou seja, não nos é possível saber exatamente quanto do que leva o seu nome realmente foi escrito por ele; assim como existem varias versões, ou variantes, de muitos dos poemas. Isso porque Gregório não editou nada durante sua vida (assim como o grande espanhol Quevedo, um de seus mestres ideais) e seus poemas circularam manuscritos no Brasil (onde não podia haver imprensa) e em Portugal, onde possivelmente a censura tenha impedido a publicação de obras por muitos lados irreverentes e muitas vezes obscenas. Assim posteriormente admiradores da obra gregoriana reuniram os poemas em códices manuscritos, hoje espalhados entre o Brasil, Portugal e os Estados Unidos (atualmente, existem 22 códices em 35 volumes), porém sem que houvesse controle sobre o que era e o que nao era verdadeiramente do autor, cuja fama póstuma permitia que se lhe atribuíssem algumas obras talvez de outros poetas menos conhecidos. Com certeza porém muitíssimas das obras que levam o seu nome foram escritas por ele, e caracterizam um versejador versátil e fluente, extremamente talentoso, de grande cultura, supostamente autor de mais de 700 poemas que, com a exceção da épica, abrangem praticamente todos os gêneros e estilos poéticos. A poesia satírica - a que o tornou mais famoso - a religiosa, a amorosa, a encomiástica, os relatos de pequenos ou grandes acontecimentos da vida colonial: todos estes gêneros foram praticados pelo poeta com êxitos igualmente válidos, ainda que se conheça mais a vertente satírica, especialmente quando aliada à componente erótica (que alguns no passado já chamaram de "pornográfica"). Neste âmbito, são justamente famosas suas sátiras a cidade da Bahia, aos governantes corruptos e, entrando aqui na esfera erótica, a freiras e padres muito licenciosos, assim como há uma série de poemas dedicados a diferentes prostitutas da cidade. Sua linguagem neste contexto torna-se particularmente crua e às vezes violenta.

Gregório compôs sonetos, décimas, motes e glosas, romances, só para citar os metros mais conhecidos, com grande variedade de rimas e ritmos, introduzindo na linguagem poética termos tupi e africanos ao mesmo tempo em que não renunciava às referencias clássicas e eruditas indispensáveis para o bom poeta da época . Como era inevitável, foi muito influenciado pela obra dos castelhanos Góngora e Quevedo, e traduziu obras dos dois mestres, assim como, fiel ao cânon retórico, imitou e recriou composições deles . Por isso durante muito tempo, e até poucos anos atrás, foi chamado de plagiário por quem não levava em conta o fato disto ser prática plenamente lícita e comum naquela época, e aliás indispensável para o poeta culto .

LEITURAS AFINS:

Obras de Gregório de Mattos.dir. de Afrânio Peixoto. 6 vols.Rio: Publicações da Academia Brasileira 1923-1933 (Sacra, I, 1929; Lírica, II, 1923; Graciosa, III, 1930; Satírica, IV e V; Ultima, 1933).

Poemas Escolhidos. Seleção, introdução e notas de José Miguel Wisnik.Sao Paulo: Cultrix,1976.

Obra Poética. Ed. James Amado, Notas de E. Araújo.2 vols. Rio: Record, 1990, 2ª edição.

Gregório de Mattos. Seleção de textos, notas, estudo biográfico, histórico e crítico por Antonio Dimas, São Paulo: Nova Cultural (Literatura Comentada), 1988.

Gregório de Mattos. Senhora Dona Bahia: Poesia Satírica. (seleção, introdução, estudo crítico, notas de Cleise Furtado Mendes, Salvador : EDUFBA, 1996.

sábado, 2 de agosto de 2008

CINEMA A LA CARTE: O PODEROSO CHEFÃO PARTE II


Início do século XX. Após a máfia local matar sua família, o jovem Vito (Robert De Niro) foge da sua cidade na Sicília e vai para a América. Já adulto em Little Italy, Vito luta para ganhar a vida (legal ou ilegalmente) e manter sua esposa e filhos. Ele luta contra Black Hand Fanucci (Gastone Moschin), que exigia dos comerciantes uma parte dos seus ganhos. O poderio de Vito cresce muito, mas sua família (passado e presente) é o que mais importa para ele. Um legado de família que vai até os enormes negócios que nos anos 50' são controlados pelo caçula, Michael Corleone (Al Pacino). Agora baseado em Lago Tahoe, Michael planeja fazer por qualquer meio necessário incursões em Las Vegas e Havana instalando negócios ligados ao lazer, mas descobre que alguns de seus aliados estão tentando matá-lo. Crescentemente paranóico, Michael também descobre que sua ambição acabou com seu casamento com Kay (Diane Keaton) e aos poucos, está destruindo toda a família. Enquanto tenta se inocentar de uma acusação federal, Michael concentra sua atenção para lidar com os inimigos.
Mesmo não sendo uma obra tão inesquecível e cativante quanto a primeira, esta segunda parte da trilogia – “O Poderoso Chefão” possui uma história infinitamente mais complexa, madura e bem desenvolvida que a do primeiro filme. Em primeiro plano temos a continuação da saga de “Michael Corleone” que, após escapar ileso de um atentado planejado contra ele por um de seus inimigos, decide investigar quem seria o suposto mandante do homicídio. Apesar de não conter seqüências de ação, a estória “prende” o espectador pela maneira como vai sendo desenvolvida com o desenrolar do filme e pelo clima de mistério que esta confere ao mesmo (durante várias vezes flagrei-me perguntando: “Quem almeja matar quem e por qual motivo?”). Outro ponto forte desta estória é o fato dela retratar (ainda que seja apenas de soslaio) a Revolução Cubana que colocou Fidel Castro no poder. Em segundo plano temos a saga de “Vito Andolini” que, após ter os pais e o único irmão assassinados, foge de sua terra natal (“Corleone”) e ruma para “Nova York”, onde tem o nome alterado para “Vito Corleone”. Passam-se vários anos e “Vito” entra em conflito com “Don Fanucci” (um mafioso cruel que extorquia dinheiro dos comerciantes italianos residentes em Nova York”). O rapaz decide então eliminar o seu desafeto e, após isso, se reúne a alguns amigos dando inicio à sua vida no submundo do crime. A estória de “Vito” pode não ser tão complexa quanto a de “Michael”, mas ainda assim ela é bem desenvolvida, conferindo um forte clima italiano e uma dose extra de beleza e magia ao filme (assim como acontece com o seu antecessor). Outro grande destaque do longa é a montagem deste que alterna magistralmente entre a história do “passado” e a do “presente” fazendo com que ambas não fiquem cansativas e/ou confusas em momento algum. As atuações estão todas ótimas (“Al Pacino” está extremamente inexpressivo, mas devemos levar em conta que o seu personagem é um homem sério e sisudo e isso faz com que o ator necessite realizar uma atuação inexpressiva, apesar de ele mudar o tom de voz perfeitamente sempre que necessário).Em suma, uma obra clássica, inesquecível.

Sinopse: Durante os anos 50, Michael Corleone (Al Pacino) está agora a frente da família e tenta expandir seus negócios por Las Vegas, Hollywood e Cuba. Paralelamente, conhecemos a interessante história de Vito Corleone (Robert De Niro), ainda jovem na Sicília, em 1910, e como ele chegou a Nova York e começou a contruir o seu império. Vencedor de 6 Oscar: Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator Coadjuvante (De Niro), Melhor Canção, Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Direção de Arte.


Título Original: The Godfather - Part II

Gênero: Policial

Origem/Ano: EUA/1974

Duração: 177 min

Direção: Francis Ford Coppola

Elenco:

Al Pacino .... Don Michael Corleone
Robert DeNiro ....
Jovem Vito Corleone
Diane Keaton ....
Kay Adams
Robert Duvall .... Tom Hagen
John Cazale .... Fredo Corleone
Talia Shire .... Connie Corleone Rizzi
Lee Strasberg .... Hyman Roth
Michael V. Gazzo .... Frankie Pentangeli
G.D. Spradlin .... Senador Pat Geary
Richard Bright ....
Al Neri
Gastone Moschin .... Fanucci
Tom Rosqui .... Rocco Lampone
Bruno Kirby .... Jovem Clemenza
Frank Sivero .... Genco
Francesca De Sapio .... Jovem Carmella "Mama" Corleone
Morgana King ....
Mama Corleone
Marianna Hill .... Deanna Corleone
Dominic Chianese .... Johnny Ola
John Aprea ....
Jovem Tessio
Abe Vigoda .... Tessio
Gianni Russo .... Carlo
Giuseppe Silato ....
Don Francesco
Mario Cotone .... Don Tommasino
Harry Dean Stanton .... Policial do FBI
Danny Aiello .... Tony Rosato
James Caan .... Sonny Corleone
Roman Coppola .... Jovem Sonny Corleone
Sofia Coppola ....
Criança no barco na cena na Estátua da Liberdade


UM ASTRO NA CASA BRANCA


Por Fernando Serpone, de Washington (Folha de São Paulo)


A batalha pela Casa Branca entrou em sua fase mais negativa, que hoje se tornou acentuada com um novo anúncio em que os republicanos comparam Barack Obama a Deus e com o lançamento de um site em que ridicularizam o status de "celebridade" do senador democrata.

O ataque marca a fase mais negativa da campanha até o momento e chega após a acalorada troca de ofensas ontem entre os dois aspirantes à Presidência em que o republicano John McCain acusou Obama de explorar o fator racial.

A ofensiva republicana foi hoje um passo além, ao comparar diretamente Obama com Deus.

"Em 2008 o mundo será benzido", dispara um anúncio de um minuto intitulado "O eleito".

"Pode ver a luz?", se pergunta o narrador, que conclui questionando se Obama "está pronto para assumir a liderança?".

A esse anúncio da campanha republicanos se soma uma página interativa que oferece aos internautas a possibilidade de participar de um jogo em que devem adivinhar quem é o famoso --Obama é um deles-- através das diferentes declarações.

A primeira adivinhação questiona quem "foi à Whole Foods (uma rede cara de produtos ecológicos) ultimamente e perguntou quanto cobram pela rúcula?".

As opções eram Cameron Diaz, Barack Obama, Jessica Biel e Matt Damon e a resposta correta era o senador democrata, que é mostrado pelos republicanos com óculos de sol e um grande sorriso.

A série de perguntas, na qual todos os representantes da brincadeira fazem comentários mais sérios que os de Obama, termina com o vídeo "Celeb", lançado na quarta-feira, e no qual o presidenciável democrata é comparado com Britney Spears e Paris Hilton.

Essa não é a primeira vez que usam vídeos de humor e a participação popular para deturpar a imagem de Obama.

Há poucas semanas, o mesmo site disponibilizava duas opções de vídeos com trilha sonora romântica para representar o amor da mídia em relação a Obama e quem acessasse decidiria qual seria a canção oficial.

"Os republicanos estão construindo uma imagem negativa de Obama como fizeram com (o candidato democrata à Casa Branca) John Kerry em 2004, que foi apresentado como um elitista distante do americano médio", disse à agência Efe Thomas Schwartz, professor da Universidade Vanderbilt, de Tennessee.

A pergunta sobre a rúcula e a rede de produtos ecológicos, que certamente não figura entre as opções mais populares dentre as lojas de fast-food, tentaria projetar essa imagem elitista.

Já Obama se limitou a encaixar os golpes baixos e se defender energicamente embora sem seguir, por enquanto, os passos da campanha de seu rival republicano, John McCain.

O senador democrata diz não querer recorrer aos velhos truques políticos e sustenta que a sua campanha será positiva e articulada em torno de sua principal mensagem de mudança e esperança.

Os especialistas advertem que as campanhas negativas funcionam e apontam que Obama poderia se ver forçado a revisar sua estratégia, mas alertam também do arriscado rumo pelo qual McCain optou.

Bruce Gronbeck, professor da Universidade de Iowa, diz que desde as presidenciais de 1988, nas quais George Bush, pai do atual presidente americano, concorreu e ganhou de Michael Dukakis, os republicanos utilizam os anúncios negativos de forma recorrente.



Leituras afins: Ernest Griffith. O sistema americano de governo. Editora Nordica. 1993. Preço: 10, 00.

TEMPO PRESENTE



(Por Miriam Leitão, de O Globo)


A ata do Copom tem uma coleção de boas notícias. O investimento cresceu 15% no primeiro semestre; a produção industrial aumentou 6% até maio — a de máquinas, 16%, e a de carros e eletrônicos, quase 14%. No primeiro semestre, foram criados 1,3 milhão de empregos formais; só a agricultura, e apenas em junho, contratou 92 mil. O comércio vendeu 14% mais. A má notícia: os juros continuarão subindo.

A ata empilha também os números ruins de inflação: IPCA em 12 meses a 6,06%, acima do centro da meta; apesar da queda da taxa de câmbio, os bens chamados de comercializáveis — na falta de um nome melhor para produtos afetados diretamente pelo câmbio — subiram 7,78% em 12 meses; no mesmo período, o Índice de Preços do Atacado subiu 17,9%. O IPA agrícola foi de 37,91%; nos 12 meses anteriores, terminados em junho de 2007, havia sido de 8,07%. Em todas as medidas, todos os núcleos, todas as formas de comparação, a inflação está subindo, afastando-se da meta, e mostrando pressões ainda por chegar ao varejo.

Essa má notícia é que faz com que todas as outras sejam vistas meio de lado pelo órgão que tem a ingrata tarefa de manter o olhar fixo na meta de inflação. Na última reunião do Copom, os juros, que vinham subindo a 0,5% a cada 45 dias, foram elevados em 0,75%. Os juros bancários já subiram para aqueles níveis que são impensáveis em outros países do mundo. Juros médios do crédito ao consumidor estão agora na ordem de 50% ao ano. Os para empresas chegam a 26%. Em que país do mundo, consumidor compra com o dinheiro a esse preço, e empresa gira seus negócios a esse custo? O Brasil é mesmo um país diferente.

Tão diferente que aquilo que assusta o mundo inteiro não faz uma ruga de preocupação na testa do Banco Central. Segundo a ata do Copom, foi mantido em zero o percentual previsto de reajuste da gasolina este ano. Em outros países, os consumidores vivem apavorados com o preço na bomba, que subiu fortemente, mas aqui tanto faz o petróleo estar a US$ 35, a US$ 146 ou a US$ 124, como fechou ontem, que o preço na bomba não muda.

Mesmo sem essa pressão, a inflação brasileira tem sido uma fonte de dor de cabeça. Pela sua já conhecida linguagem cifrada, o BC avisou que os juros continuarão subindo. “O Copom considera que a persistência do descompasso importante entre o ritmo de expansão da demanda e da oferta agregadas vem exacerbando o risco para a dinâmica inflacionária.” Ou seja, o Banco Central acha que as coisas não vão nada bem, e que o ritmo de crescimento do consumo precisa ser detido para que a inflação volte ao centro da meta no ano que vem. Este ano é impossível. O BC já trabalha com o olho em 2009, pois os juros demoram um pouco a produzir seu efeito na economia.

No governo cujo programa principal chama-se Aceleração do Crescimento, o Banco Central tem a ingrata e antipática tarefa de desacelerar o crescimento. Entrevistei ontem o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, cujo trabalho é justamente o de tentar acelerar esse ritmo, no comando do banco que financia a economia brasileira a juros baixos. Ele admite que o crescimento pode estar acima do potencial, pressionando a inflação:

— É uma questão de calibragem. A economia acelerou bastante no fim do ano passado, com o consumo das famílias crescendo perto de 9%, um aumento muito forte das importações que ainda persiste. São sintomas de um crescimento um pouco acima do potencial. A inflação, no início do ano, veio muito forte e está produzindo efeito muito preocupante sobre todos os índices de atacado. Isso recomenda uma moderação no ritmo de crescimento.

No entanto, o presidente do BNDES acha que o ajuste deveria poupar os investimentos, porque são eles que garantirão a oferta futura.

— Em moderando o ritmo de crescimento, devemos nos preocupar com a sustentação dos investimentos. Eu defendo que é mais racional que a moderação do crescimento seja feita de maneira mais intensa sobre o consumo do governo e o consumo privado e menos sobre os investimentos. A razão é simples: os investimentos produzem oferta futura, eles são portadores de processos de desenvolvimento. Seria pouco inteligente sacrificar principalmente os investimentos.

Na visão dele, porém, o governo tem apenas que manter o atual ritmo de crescimento das despesas. Ritmo que, pelos dados divulgados esta semana, teve pequena desaceleração. Outros economistas acham que o governo teria de cortar gastos mais fortemente se quiser evitar que, para combater a inflação, seja necessário reduzir drasticamente o consumo privado.

O consumo tem crescido tanto em bens que refletem aumento da renda quanto em bens de maior valor, que refletem a expansão do crédito, de acordo com a ata do Copom. O risco da elevação rápida da taxa de juros é sobrecarregar a família brasileira, atualmente já muito mais endividada que anos atrás. O impacto do aperto monetário será maior no orçamento doméstico.

Por ora, o país vive uma situação estranha: colhendo números excelentes de crescimento de vendas, produção, emprego, investimento, renda e crédito; o BC, no meio de um processo de aperto de juros que vai ainda mais longe, enquanto o mundo caminha para uma forte desaceleração, com a principal economia do planeta estagnada. Tempos desafiadores.


LEITURAS AFINS:

João Paulo dos Reis Velloso. Inflação, moeda e desindexação. Editora Nobel, 2007. Preço: R$ 37, 40.

quarta-feira, 30 de julho de 2008

LIVRO DO DIA: O PODER SIMBÓLICO


A força simbólica de Pierre Bourdieu, de início no meio acadêmico, tem como base sua produção teórica. Nessa, destacamos no campo das ciências sociais, a importância dada às estruturas simbólicas na leitura do mundo, e a abrangência em usar sua teoria em fronts de: educação, cultura, arte, literatura, etc. O campo de produção simbólico suscita a relação de força entre os agentes, que leva à relação de sentido. Nesta perspectiva a violência simbólica apresenta tema central nos estudos de Bourdieu. Tal violência não é fruto da instrumentalização pura e simples de uma classe sobre a outra, mas é exercida através dos jogos engendrados pelos atores sociais, numa abordagem denominada por ele como "construtivismo estruturalista", enfatizavando que a sociedade é uma produção humana, uma realidade objetiva. O homem é uma produção social. Bourdieu analisa o mundo social através de um processo de causalidade circular que articula níveis diferentes da realidade separados pela micro e macro sociologia. Duas noções bem formuladas pelo autor, quando se refere às instâncias que sustentam o mundo social: campos sociais e habitus. A relação entre estas instâncias faz com que as estruturas se tornem corpo, e igualmente, que o corpo se faça estrutura. Nessa perspectiva, e armado com outros conceitos, como legitimidade, estratégia, classe social, interesse, capital simbólico, Bourdieu avança em vários domínios da sociedade, campos sociais, e faz seu combate sociológico. Entre os campos sociais analisados destacamos dois, o campo da produção intelectual (homo academicus) e da produção jornalística. Bourdieu investe no sujeito da ciência como parte do objeto da ciência, afastando a ilusão de " intelectuais sem laços nem raízes". Sua análise infiltra-se na dinâmica acadêmica e busca caracterizá-la pelos interesses específicos (postos acadêmicos, contratos de edição, reconhecimentos e gratidões), na maioria das vezes imperceptíveis aos olhos daqueles que não fazem parte deste universo. Bourdieu observa neste campo, que os intelectuais são, enquanto detentores do capital cultural, uma fração (dominada) da classe dominante, e muitas de suas tomadas de posição, em matéria de política, devem à ambigüidade de sua posição de dominados entre dominantes. Tal afirmação pode encontrar ricos estudos de caso, no Brasil, na França, na Rússia ou na China. Esta ambígua relação de poder faz com que muitos intelectuais se apropriem da competência que extrapola seus limites de competência, fazendo apelo aos títulos escolares, num resgate similar aos títulos de nobreza de outrora, transformando-os, em passaporte para se tornarem a "Nobreza do Estado" contemporâneo. Apropriação esta, acompanhada por outro tipo de usurpação, o que o torna uma autoridade acerca de temas que extrapolam a competência técnica de certos intelectuais, sendo esta, própria da ambição do intelectual à moda antiga, presente no pensamento detentor de todas as respostas. Assim, Bourdieu vai tecendo o jogo realizado pelo homo academicus e evidenciando o vai-e-vem de estrutura-corpo, possuído-possuidor, história-presente, relação de força-relação de sentido. Sua crítica se torna mais obstinada, quando visualiza certos intelectuais seduzidos em produções supostamente científicas, por temas da moda, dando a impressão de dominar sua época, por vezes, são dominados por ela. Adaptando de forma patética, suas dissertações aos temas do momento. Outro campo social trabalhado por Bourdieu nos últimos anos foi o campo de produção jornalística, nesse, a contribuição maior de Bourdieu será a importância adquirida no espaço público, discussão sobre meios de comunicação em geral, da televisãoe da produção jornalística em particular. Fazendo ressalva na introdução do livro "Sobre a televisão": O autor diz que a abordagem ali realizada é marcada por "simplificações e aproximações". Com carência para produzir novos conceitos neste campo específico, Bourdieu soube aproveitar seu espaço acadêmico e midiático para lançar a discussão em torno da produção jornalística, demonstrando como um instrumento de democracia se converte num instrumento de opressão simbólica. Alerta sobre o papel dos meios de comunicação em geral e da atividade jornalística em particular visando o bom funcionamento das esferas culturais, da democracia e da política. Dirigindo-se aos responsáveis dos grandes grupos midiáticos, ele afirma: "Este poder simbólico que, nas mais diferentes sociedades era distinto do poder político ou econômico, está hoje reunido nas mãos das mesmas pessoas, que detêm o controle dos grandes grupos de comunicação, isto é, do conjunto dos instrumentos de produção e difusão dos bens culturais". No tocante à produção jornalística, Bourdieu busca caracterizar as propriedades do campo jornalístico, fato, oferta, tempo de produção, relação entre profissionais, e efeitos, chegando à questão da ética jornalística. A indagação acerca da ética busca ultrapassar os velhos preceitos rígidos, para propor a construção de ambientes propícios para a efetivação de ações consideradas éticas. Caracterizando a falta de autonomia como uma das principais propriedades do campo de produção jornalístico (fruto da interferência das fontes, dos anunciantes e da política), Bourdieu propõe criar um curto-circuito através da "lei do meio", a crítica mútua que se pratica nos vários campos de produção cultural e sobre a qual repousam os diferentes progressos da ciência, da literatura, da arte. Nesse trabalho, Bourdieu objetiva em suas análises, que o coletivo dos jornalistas construa instâncias eficazes de julgamento crítico capazes de se opor às imposições das pesquisas de audiência, criando assim, uma legitimidade específica, capaz de fazer progredir no meio jornalístico, uma verdadeira deontologia prática.

Sinopse: Coletânea de trabalhos recentes do escritor francês, "O poder simbólico" procura dar uma resposta às mudanças que têm ocorrido nas últimas décadas na área das ciências sociais e humanas.


Ficha Técnica:
Editora: Bertrand Brasil

Ano: 2000

Edição: 3ª

Número de páginas: 311

Acabamento: Brochura
Preço: R$ 39,20

terça-feira, 29 de julho de 2008

O HOMEM-MASSA NO PODER


Por Nivaldo Cordeiro. (Publicado em http://www.nivaldocordeiro.net/, 28/07/2008)


Na noite do último sábado eu tive o privilégio de assistir ao concerto de encerramento do 39º FESTIVAL INTERNACIONAL DE INVERNO DE CAMPOS DO JORDÃO. Já bastante tradicional, o evento, que ocorreu em auditório ao lado do Palácio de Inverno do governador do Estado de São Paulo, é bancado, em grande parte, por verbas públicas. A orquestra, composta basicamente por jovens músicos bolsistas, foi regida pelo octogenário maestro Kurt Mansur e não era ele apenas que fazia o contraponto com seus jovens músicos.

Na platéia muita gente conhecida, integrante da elite econômica e política de São Paulo, gente que foi ali para ver e ser vista, como é da regra nesses eventos, e não pelo espetáculo musical em si. No programa a majestosa Nona Sinfonia, de Beethoven, considerada por muitos a composição mais bela de todos os tempos. De fato, essa música é capaz de elevar a mais endurecida alma aos cumes do prazer estético. Foi um raro privilégio estar ali.

Na platéia também estava o governador José Serra. Discreto, vestia roupas simples, sem gravada e com camisa que lembrava o indefectível jeans, o uniforme do homem-massa contemporâneo. Não pude deixar de lembrar-me do filme O SEGREDO DE BEETHOVEN, da diretora polonesa Agnieszka Holland. Nas cenas finais do filme podemos ver a estréia da peça em Viena, diante da nobreza e dos governantes principescos. Talvez o compositor nunca imaginasse que um espetáculo solene, em que sua música estivesse no programa, viesse a ter um governante assim trajado, de forma bastante inadequada para o evento e em contraste singular com muitos da platéia. Contraste ainda maior com o maestro, envergando a indumentária tradicional, e seus músicos, todos vestidos a rigor. Não preciso lembrar que, na recriação do filme, o mais elegante na platéia da estréia era o governante e não o maestro.

Mas o governador, pelo menos, entrou mudo e saiu calado, mesmo tendo recebido algumas chochas palmas. Evitou um comício desnecessário. Pior mesmo foi o secretário da Cultura, João Sayad, que representou o poder constituído na solenidade. Subiu ao palco em mangas de camisa, sem gravata e envergando uma calça de jeans desbotada, o emblema mais característico do homem-massa, usando sua indefectível barba por fazer, outro emblema dos intelectuais militantes, os sacerdotes do deus-Estado que governam em nome da massa. Que contraste! Nada poderia ser mais plástico para representar os tempos de hoje: um homem-massa governante, vestido a caráter. Um “intelectual” no poder. Sayad parecia um centauro barbudo, metade homem, metade bicho, quer dizer, homem-massa, que é a besta ela mesma.

A figura apequenada do secretário de Cultura estaria mais adequada, com o seu traje, em algum festival de música pop ou mesmo de funk. Diante daqueles músicos solenes, daquela platéia sofisticada e da música celestial de Beethoven foi um despropósito só. Quando a figura majestosa do maestro Kurt Mansur adentrou ao recinto é que o contraste ficou mais acentuado. A digníssima figura do velho artista, absolutamente de acordo com o momento, a música a ser regida, o recinto, a platéia e tudo mais, ofuscou os representantes dos homens-massa tornados governantes, ali presentes.

Quando a massa se eleva a primeira coisa que a distingue é a deselegância, a incapacidade de ter bons modos ao vestir-se e ao falar. O idioma ficará irremediavelmente corrompido, assim como os modos. A decadência pode ser percebida até mesmo nas salas de concerto, um dos recintos mais tradicionais, como bem pude testemunhar.

Meu caro leitor, nem tudo está perdido, todavia. Pior mesmo se, ao invés dos governantes, fossem os jovens músicos a vestir jeans. Aí tudo estaria irremediavelmente desesperançado. O poder pode ocasionalmente perder a majestade, não a música de Beethoven e as orquestras que o honram. Entendo que é mais fácil mudar os governantes do que os usos dos artistas eruditos, pois estes têm pudor estético. Menos mal.



LEITURAS AFINS:

Jose Ortega y Gasset. A Rebelião das Massas. São Paulo. Martins Fontes, 2002. 300 páginas. Preço: R$ 44,70.

Gabriel Tarde. A Opinião e as Massas. São Paulo. Martins Fontes, 2001. 149 páginas. Preço: 35,80.

sexta-feira, 25 de julho de 2008

NA MEMÓRIA: PROCLAMAÇÃO DE CONSTANTINO, O GRANDE.


Em 25 de julho do ano 306, Constantino I era proclamado Imperador Romano pelas suas tropas.
Flavius Valerius Constantinus, conhecido como Constantino I, Constantino Magno ou Constantino, o Grande foi proclamado Augusto pelas suas tropas em 25 de Julho de 306 e governou uma porção crescente do Império Romano até à sua morte.
Nascido em Naissus, na Alta Dácia (actual Roménia), filho de Constâncio I Cloro e da filha de um dono de uma albergaria, Helena de Constantinopla, Constantino teve uma boa educação e serviu no tribunal de Diocleciano depois do seu pai ter sido nomeado um dos dois Césares, na altura um imperador júnior, na Tetrarquia em 293.
Depois da morte de seu pai em 306, nos dezoito anos seguintes combateu uma série de batalhas e guerras que o fizeram o governador supremo do Império Romano. Constantino foi o primeiro imperador romano a confirmar o Cristianismo, na sequência da sua vitória da Batalha da Ponte Mílvio. A sua adopção do cristianismo pode também ser resultado de influência familiar.
Constantino legalizou e apoiou a cristandade por volta do tempo em que se tornou imperador, com o Édito de Milão, mas também não tornou o paganismo ilegal ou fez do Cristianismo a religião de Estado.
Constantino só foi baptizado e cristianizado no final da vida.
Mas apesar de seu baptismo, há duvidas se realmente ele se tornou Cristão. Ele nunca abandonou sua adoração com relação ao deus Sol (Deus Sol Invicto), tanto que em suas moedas Constantino manteve como simbolo principal o sol.
Até o dia da sua morte, em 337, Constantino usou o título pagão de Sumo Pontífice, autoridade suprema em assuntos religiosos. O imperador Constantino influenciou em grande parte a igreja cristã.
O Édito de Constantino, promulgado em 321, determinou o domingo como dia de repouso, com excepção dos lavradores. A sua vitória em 312 sobre Maxêncio na Batalha da Ponte Mílvio resultou na sua ascensão ao título de Augusto Ocidental, ou soberano da totalidade da metade ocidental do Império.
Consolidou gradualmente a sua superioridade militar sobre os seus rivais com o esfarelamento da Tetrarquia até 324, quando derrotou o imperador oriental Licínio, tornando-se imperador único.
Constantino reconstruiu a antiga cidade grega de Bizâncio, chamando-a de Nova Roma, dotando-a de um senado e ministérios cívicos semelhantes aos da antiga Roma. Após a sua morte foi nomeada Constantinopla, tendo-se gradualmente tornado a capital do império.
Um anos depois do Concílio de Niceia (325), Constantino mandou matar seu próprio filho Crispus. Sufocaria depois sua mulher Fausta num banho sobreaquecido. Mandou também estrangular o marido de sua irmã, e chicotear até à morte o filho de sua irmã.

LEITURAS AFINS:
Edward GIbbon. Declínio e Queda do Império Romano. Companhia de Bolso. 2005. Preço: R$ 12,00
Hercílio de Lourenzi. Imperadores Romanos: seu tempo e suas glórias. Editora Escala. 1999. Preço: 20,00

U.E OFERECE AO BRASIL ACORDO SOBRE ETANOL NA OMC


A União Européia ofereceu ao Brasil a chance de exportar mais etanol para os 27 países do bloco, como parte das iniciativas para tentar destravar as negociações da Rodada de Doha de comércio global. Em troca, a UE exigiria mais acesso aos mercados brasileiros, segundo o comissário europeu de Comércio, Peter Mandelson.
"Surpreendentemente, devido à importância dessa questão em Brasília, (o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso) Amorim pareceu minimizar o valor de tal oferta para o Brasil," escreveu Mandelson em seu blog.
A UE espera que grandes economias emergentes, como o Brasil, se abram mais a produtos industriais.
Mandelson não deu detalhes sobre a oferta bilateral da UE ao Brasil, mas um diplomata disse que ela representaria a oportunidade de exportar quase 1,4 milhão de toneladas de etanol por ano para o bloco até 2020, sob uma tarifa menor do que o imposto-padrão, em torno de 40 por cento.


(Reuters)

CHÁVEZ SE REUNE COM REI ESPANHOL APÓS CRISE

O presidente venezuelano, Hugo Chávez, se reunirá na sexta-feira com o rei Juan Carlos e com o chefe do Executivo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, em uma visita com a qual os dois países pretendem aparar arestas após meses de tensões diplomáticas.
O monarca receberá Chávez no Palácio Marivent, em Mallorca, onde passa férias. Depois, o presidente venezuelano irá à capital espanhola onde almoçará com Zapatero.
A visita marca o primeiro encontro entre Juan Carlos 1o e Chávez desde que o rei espanhol mandou o presidente venezuelano se calar durante uma cúpula ibero-americana.
Naquele encontro, ocorrido em novembro do ano passado no Chile, o rei perdeu a calma diante de Chávez quando o líder venezuelano criticou repetidamente o ex-primeiro-ministro espanhol José Maria Aznar.
Após meses de tensão, nos quais a Venezuela ameaçou nacionalizar bancos de propriedade de investidores espanhóis e vigiar outras empresas espanholas que operam no país de perto, Chávez e Zapatero se encontraram na Cúpula América Latina-União Européia em Lima, e mostraram a intenção de melhorar as relações entre os dois países.
Chávez está em uma série de viagens internacionais que já o levou à Rússia, Belarus e Portugal.

(Reuters)

quinta-feira, 24 de julho de 2008

LIVRO DO DIA - RECORDAÇÕES DO ESCRIVÃO ISAÍAS CAMINHA


O primeiro romance de Lima Barreto é uma forte crítica à sociedade hipócrita e preconceituosa e a imprensa (que ele mesmo fez parte). É um livro pungente em todos os ssentidos, de leitura obrigatória. O jovem Isaías Caminha, menino do interior, tomou gosto pelos estudos através da desigualdade de nível mental entre o seu pai, um ilustrado vigário, e sua mãe. Admirava o pai que lhe contava histórias sobre grandes homens. Esforçou-se muito nas instruções e pouco brincava. Tinha ambições e um dia finalmente decide ir para O Rio fazer-se doutor: "Ah! Seria doutor! Resgataria o pecado original do meu nascimento humilde, amaciaria o suplício premente, cruciante e omnímodo de minha cor... Nas dobras do pergaminho da carta, traria presa a consideração de toda a gente. Seguro do respeito à minha majestade de homem, andaria com ela mais firme pela vida em fora. Não titubearia, não hesitaria, livremente poderia falar, dizer bem alto os pensamentos que se estorciam no meu cérebro. [...] Quantas prerrogativas, quantos direitos especiais, quantos privilégios, esse título dava! Podia ter dois e mais empregos apesar da Constituição; teria direito à prisão especial e não precisava saber nada. Bastava o diploma. Pus-me a considerar que isso devia ser antigo... Newton, César, Platão e Miguel Ângelo deviam ter sido doutores!" Aconselha-se com o tio Valentim. Este visita o Coronel Belmiro, chefe eleitoral local, que redige uma carta recomendando Isaías para o Doutor Castro, deputado. Segue paro O Rio com algum dinheiro e esta carta. Instala-se no Hotel Jenikalé, na Praça da República e conhece o Senhor Laje da Silva - diz ser padeiro e é incrivelmente afável com todos, em especial com os jornalistas. Através dele conhece o doutor Ivã Gregoróvitch Rostóloff, jornalista de O Globo, romeno, sentia-se sem pátria e falava 10 línguas. Vai assim conhecendo O Rio de Janeiro. Decide procurar o Deputado Castro para conseguir seu emprego e poder cursar Medicina. Dirige-se a Câmera: "subi pensando no ofício de legislar que ia ver exercer pela primeira vez, em plena Câmera dos Senhores Deputados - augustos e digníssimos representantes da Nação Brasileira. Não foi sem espanto que descobri em mim um grande respeito por esse alto e venerável ofício [...] Foi com grande surpresa que não senti naquele doutor Castro, quanto certa vez estive junto dele, nada que denunciasse tão poderosa faculdade. Vi-o durante uma hora olhar tudo sem interesse e só houve um movimento vivo e próprio, profundo e diferencial, na sua pessoa, quando passou por perto uma fornida rapariga de grandes ancas, ofuscante sensualidade." Tenta falar com o doutor Castro mas não consegue. Quando finalmente consegue, visitando a sua residência particular (casa da amante) este o recebe friamente dizendo que era muito difícil arranjar empregos e mando o procurar no outro dia. Caminha depois descobre que o deputado estava de viajem para o mesmo dia e é tomado por um acesso de raiva: Patife! Patife! A minha indignação veio encontrar os palestradores no máximo de entusiasmo. O meu ódio, brotando naquele meio de satisfação, ganhou mais força [...] Gente miserável que dá sanção aos deputados, que os respeita e prestigia! Porque não lhes examinam as ações, o que fazem e para que servem? Se o fizessem... Ah! Se o fizessem! Com o dinheiro no fim, sem emprego, recebe uma intimação para ir à delegacia. O hotel havia sido roubado e prestava-se depoimentos. Ao ouvir as palavras do Capitão Viveiros: "E o caso do Jenikalé? Já apareceu o tal "mulatinho"?" Isaías reflete: Não tenho pejo em confessar hoje que quando me ouvi tratado assim, as lágrimas me vieram aos olhos. Eu saíra do colégio, vivera sempre num ambiente artificial de consideração, de respeito, de atenções comigo [...] Hoje, agora, depois não sei de quantos pontapés destes e outros mais brutais, sou outro, insensível e cínico, mais forte talvez; aos meus olhos, porém, muito diminuído de mim próprio, do meu primitivo ideal [...] Entretanto, isso tudo é uma questão de semântica: amanhã, dentro de um século, não terá mais significação injuriosa. Essa reflexão, porém, não me confortava naquele tempo, porque sentia na baixeza de tratamento, todo o desconhecimento das minhas qualidades, o julgamento anterior da minha personalidade que não queriam ouvir, sentir e examinar. Levado a presença do delegado, começa o interrogatório: "Qual é a sua profissão?" "Estudante." "Estudante?!" "Sim, senhor, estudante, repeti com firmeza." "Qual estudante, qual nada!" A sua surpresa deixara-me atônito. Que havia nisso de extraordinário, de impossível? Se havia tanta gente besta e bronca que o era, porque não o podia seu eu? Donde lhe vinha a admiração duvidosa? Quis-lhe dar uma resposta mas as interrogações a mim mesmo me enleavam. Ele por sua vez, tomou o meu embaraço como prova de que mentia." Com ar de escarninho perguntou: "Então você é estudante?". Dessa vez tinha-o compreendido, cheio de ódio, cheio de um santo ódio que nunca mais vi chegar em mim. Era mais uma variante daquelas tolas humilhações que Eu já sofrera; era o sentimento geral da minha inferioridade, decretada a priori, que Eu adivinhei na sua pergunta. O delegado continua o interrogatório até arrebatar chamando Caminha de malandro e gatuno, que, sentindo num segundo todas as injustiças que vinha sofrendo chama o delegado de imbecil. Foi para o xadrez. Passa pouco mais de 3 horas na cela e é chamado ao delegado. Este se mostra amável, tratando-o por "meu filho", dando-lhe conselhos. Caminha sai da delegacia e decide mudar-se também do hotel. Passa a procurar emprego mas na primeira negação percebe que devido a sua cor seria muito difícil se ajustar na vida. Passa dias perambulando pelas ruas do Rio, passando fome, vendendo o que tinha para comer algo, até avistar Rostóloff que o convida para dar um passada na redação de O Globo - onde passa a trabalhar como contínuo. Nesta altura a narrativa sofre um corte. A ação de Caminha é posta de lado para descrever minunciosamente os funcionamentos da imprensa carioca. Todas as características dos grandes jornalistas, desde o diretor de O Globo, Ricardo Loberant aos demais redatores e jornalistas são explicitadas de maneira cruel e mordaz. O diretor é retratado como ditador, temido por todos, com apetite de mulheres e prazer, visando somente ao aumento das vendas do seu jornal. Somos apresentados então a inúmeros jornalistas como Aires d'Avila, redator-chefe, Leporace, secretário, Adelermo Caxias, Oliveira, Menezes, Gregoróvitch. A tônica de O Globo era a crítica acerba ao governo e seus "desmandos", Loberant se considerava o moralizador da República. Isaías se admira com a falta de conhecimento e dificuldade para escrever desses homens que nas ruas eram tratados como semi-deuses e defensores do povo. Por este tempo, Caminha havia perdido suas grandes ambições e acostumava-se com o trabalho de contínuo. É notável o que se diz do crítico literário Floc (Frederico Lourenço do Couto) e do gramático Lobo - os dois mais altos ápices da intelectualidade do Globo. Lobo era defensor do purismo, de um código tirânico, de uma língua sagrada. Acaba num hospício, sem falar, com medo que o falar errado o tenha impregnado e tapando os ouvidos para não ouvir. Floc "confundia arte, literatura, pensamento com distrações de salão; não lhes sentia o grande fundo natural, o que pode haver de grandioso na função da Arte. Para ele, arte era recitar versos nas salas, reqüestar atrizes e pintar umas aquarelas lambidas, falsamente melancólicas. [...] as suas regras estéticas eram as suas relações com o autor, as recomendações recebidas, os títulos universitários, o nascimento e a condição social." Certa noite, volta entusiasmado de uma Apresentação de música e vai escrever a crônica para o dia seguinte. Após algum tempo, o paginador o apressa. Ele manda esperar. Floc tenta escrever o que viu e ouvira, mas seu poder criativo é nulo, sua capacidade é fraca. Ele se desespera. O que escreve rasga. Após novo pedido do paginador, ele se levanta, dirige-se a um compartimento próximo e se suicida com um tiro na cabeça. Estando a redação praticamente vazia, o redator de plantão chama Isaías e pede para que ele se dirija para o local onde Ricardo Loberant se encontra e jurasse que nunca diria o que viu. Isaías vai ao local indicado e surpreende Loberant e Aires d'Avila numa sessão de orgia e os chama apressadamente para o jornal. Loberant passa então a olhar com mais atenção a Isaías e o promove até repórter. Divide confidências e farras. Isaías ganha a proteção e dinheiro de Ricardo Loberant. Depois da euforia inicial, Isaías se ressente. Lembrava-me de que deixara toda a minha vida ao acaso e que a não pusera ao estudo e ao trabalho com a força de que era capaz. Sentia-me repelente, repelente de fraqueza, de falta de decisão e mais amolecido agora com o álcool e com os prazeres... Sentia-me parasita, adulando o diretor para obter dinheiro... Em dado momento do livro, Lima Barreto escreve: "Não é o seu valor literário que me preocupa; é a sua utilidade para o fim que almejo." Valor literário entenda-se como o "valor" vigente naquela época, do escrever bonito e empolado, gramaticalmente correto, em busca de palavras desconhecidas em empoerados dicionários, em busca da forma. Literatura era tudo, menos comunicação e arte.


FICHA TÉCNICA:

Editora: Riedel

Ano: 1989

Edição: 1

Número de páginas: 232

Acabamento: Brochura

Formato: Médio

Preço médio: R$ 45,90

ROTEIROS CULTURAIS: MUSEU IMPERIAL DE PETRÓPOLIS


Localizado no antigo Palácio Imperial, a residência preferida de D. Pedro II, mandado construir em 1845 pelo Imperador e dado por concluído em 1864. A construção em estilo neoclássico é considerada relativamente simples, para residência de soberanos, mas perfeitamente adaptada à função de casa de campo, sem deixar de ser elegante. Possui um corpo central de dois pavimentos e um terraço sobre o pórtico e duas alas dotadas cada qual de 12 janelas. Na fachada central, figuram as armas do Império.

Três arquitetos além de Júlio Frederico Koeler, autor do projeto original, colaboraram na construção: José Cândido Guillobel, Araújo Porto Alegre e José Maria Jacinto Rabelo.
Foi construído com recursos particulares do Imperador, nas terras da Fazenda do Córrego Seco, herdadas de seu pai, D. Pedro I que sonhou ali construir seu Palácio de Verão, o Palácio da Concórdia. Foi construído solidamente com largas paredes de pedra com madeira de lei procedentes de várias regiões do país. Seus jardins planejados pelo botânico Jean Baptiste Binot com orientação pessoal de D. Pedro II conservam até hoje suas características, com variedade de espécies botânicas originais, estátuas gregas, fontes e repuxos.
Desde 1848 D. Pedro II passou a veranear no seu Palácio de Petrópolis. Com exceção dos verões de 1865 à 1869, justamente os do período que abrangeu a guerra do Paraguai, sua estada em Petrópolis prolongava-se por quase 6 meses, aproveitando então para dedicar-se a seus estudos prediletos, fazer visitas a educandários e dar longos passeios a pé e a cavalo.
Após a Proclamação da República o Palácio foi alugado ao Colégio Notre Dame de Sion (1892-1908) e ao Colégio São Vicente de Paula (1909-1940).
Alcindo de Azevedo Sodré, um ex-aluno do Colégio São Vicente de Paula, apaixonado por história, sonhava acordado com a transformação do seu colégio em um museu histórico. Graças a sua intervenção junto ao Presidente Getúlio Vargas criou em 16 de março de 1943 o Museu Imperial.
A atração principal é a coroa de D. Pedro II, exibida com medidas de segurança. É toda em ouro cinzelado, ornamentada com brilhantes e pérolas, também em exposições a coroa de Pedro I e o cetro em ouro. Destacam-se também a sala de visitas da Imperatriz, sala de jantar, de música, os quartos de D. Pedro II e a sala das jóias, além da sala de exposições temporárias. Possui grande quantidade de objetos e peças além de obras raras de grande interesse para o estabelecimento da nossa história.



COMO CHEGAR LÁ:
Endereço
Rua da Imperatriz, 220 – Centro
Telefone
24 2237-8000
Fax
24 2237-8540
Visitação
terça a domingo das 11h às 18h (bilheteria até às 17h30m)
Site
www.museuimperial.gov.br

BERLUSCONI É "LIBERTADO" PELA NOVA LEI DE IMUNIDADE ITALIANA


O primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, agradeceu aos parlamentares que lhe concederam imunidade contra processos judiciais em uma lei aprovada pelo parlamento nesta semana, dizendo: "Vocês me libertaram".
"Finalmente, os magistrados não podem mais me perseguir", disse o bilionário de 71 anos, segundo os senadores com quem se encontrou a portas fechadas na quarta-feira.
"Agora, aos sábados, posso trabalhar calmamente e não terei de me encontrar com meus advogados", brincou Berlusconi, segundo publicaram jornais italianos na quinta-feira.
Sancionada pelo presidente Giorgio Napolitano na quarta-feira, a lei suspende os casos criminais contra o premiê, o presidente e os chefes das duas câmaras do Parlamento, durante o período em que estiverem no poder.
Foi uma vitória do líder conservador, que diz que promotores com motivações políticas o perseguem desde que entrou na política, há 14 anos. Mas os críticos dizem que a lei tem o objetivo de livrá-lo de aborrecimentos legais.
Berlusconi é acusado em Milão de ter pago 600 mil dólares ao advogado britânico David Mills em 1997. O dinheiro teria vindo de "fundos secretos" de sua empresa Mediaset SpA --o maior canal de TV privado da Itália-- para segurar detalhes incriminadores de seus negócios. Ambos negam.
Berlusconi poderia optar por renunciar à imunidade e enfrentar as batalhas judiciais.
O primeiro-ministro contabiliza 2.500 audiências, 587 visitas à polícia e 174 milhões de euros (272,9 milhões de dólares) em honorários legais ao longo de sua carreira política. Ele ganhou todas as causas, por absolvição ou porque prescreveram.


(Phil Stewart - Reuters.)

quarta-feira, 23 de julho de 2008

CINEMA A LA CARTE: AMARCORD


O filme "Amarcord", lançado em 1973 e dirigido por Federico Fellini, é considerado por muitos críticos a obra-prima do cineasta italiano. A trama se desenrola numa pequena cidade da Itália, no final dos anos 30, onde a vida de um vilarejo é relatada segundo a ótica do garoto Titta ( Bruno Zanin) - uma espécie de alter-ego do diretor. Nos deparamos, então, com pessoas comuns, vivendo suas vidas numa vila longe dos grandes centros e - consequentemente - longe dos grandes acontecimentos.A palavra "Amarcord" é derivada de "mi recordo", expressão utilizada na região de Emilia-Romagna, onde Fellini nasceu e que significa algo como "eu me recordo". Daí, percebe-se que o diretor deseja contruir um mosaico de recordações neste que é, sem dúvida, seu trabalho mais auto-biográfico. Para o funcionário público Paulo César Morais, o filme é a obra mais bem acabada do cineasta: "Esse é o filme mais completo dele. Pra mim, representa o auge do Fellini. Tem aquela nostalgia dele, o humor irônico, um pouco de política..."A narrativa não-linear demonstra a vontade do diretor de romper com o tradicional "começo-meio-fim" das produções norte-americanas, pois a película não se prende a uma sequência rígida no desenrolar dos acontecimentos, que vem e vão com naturalidade. Porém, apesar desse aparente relaxamento da narrativa, temos um filme muito bem amarrado. Toda a história do vilarejo se passa no período exato de um ano, representado pela chegada da primavera no início do filme - fenômeno que volta a se repetir no final da película.Trata-se de um clássico. E, como tal, repleto de cenas clássicas: o garoto Titta sendo quase esmagado pelos seios enormes da dona do armazém, o tio louco de Titta em cima de uma árvore gritando "voglio una dona!" (eu quero uma mulher!), o desfile fascista, a cena dos garotos no carro, a passagem do transatlântico pelo vilarejo... E tudo isso embalado pela trilha sonora espetacular de Nino Rota. Em "Amarcord", Fellini prova que recordar é viver.





FICHA TÉCNICA:

Título Original: Amarcord
Gênero: Drama
Origem: Itália/França

Ano:1974
Duração: 127 min
Direção: Federico Fellini


Elenco:
Pupella Maggio, Armando Brancia, Magali Noël, Ciccio Ingrassia, Nando Orfei, Luigi Rossi, Bruno Zanin, Gianfilippo Carcano, Josiane Tanzilli, Maria A.Beluzzi, Giuseppe Ianigro, Ferruccio Brembilla, Antonino F.Di Bruno, Mauro Misul, Ferdinando Villella.


Sinopse: Numa pequena cidade italiana na década de 30, sob domínio do facismo, várias histórias se cruzam com as de uma família cujos membros assistem às manifestações em honra do Duce ( lider facista Benito Mussolini ), à passagens do transatlântico "Rex", à chegada de um misterioso emir e suas odaliscas, aos filmes de Gary Cooper no cinema local è a passagem dos grandes pilotos da tradicional " Mile Miglia ". Mágico e arrebatador, com personagens inesquecíveis criados a partir das lembranças da infância de Fellini (1920-1993). Tudo ao som de belos e nostálgicos temas musicas de Nino Rota.


Premiação: Oscar de Melhor Filme Estrangeiro.
Distribuição em Vídeo: Warner
Distribuição em DVD: Continental

RELAÇÕES DE CAUSA E EFEITO


Nos anos 80, era comum usar-se a expressão "pecado estrutural" para designar sistemas cujo funcionamento conduzia ao mal. Naqueles tempos em que verdades e consensos se enredavam nos torvelinhos ideológicos, a Teologia da Libertação (TL) doutrinava que o instrumento corretivo do pecado estrutural, instrumento tão sábio e perfeito que muitos o identificavam com o "Reino de Deus", era o socialismo. O passar dos anos, no entanto, mostrou o contrário: caiu o muro de Berlim, escancarou-se a Muralha da China e até Cuba, suspeita-se, busca um jeito de mandar essas idéias ao devido lugar sem que a dinastia Castro e sua corte tenham que pagar maior vexame. O século passado evidenciou, largamente, que existem sistemas econômicos que enfrentam a riqueza gerando miséria e outros que enfrentam a miséria pela geração de riqueza. A economia de mercado, aliás, exibe méritos que a poderiam beatificar. Tem milagres comprovados e ampla produção de benefícios em favor daqueles excluídos a respeito dos quais a TL tanto falou e pelos quais, objetivamente, nada fez. É claro que na economia de mercado, como em quaisquer formas de relação humana, ocorrem perversões e delitos que atentam contra o bem comum e devem, à luz da prioridade da Política, ser objeto de correção. No entanto, sob liberdade econômica, em menos de duas décadas, centenas de milhões de pessoas, na Europa Oriental, bem como no Leste e Sul da Ásia, emergiram da linha da miséria. Os benefícios de medidas que assegurem estabilidade política, estimulem competitividade e atraiam investimentos não são apenas teóricos. Ao contrário, são constatados na prática dos povos, em pequenas nações como a Irlanda e em mega-problemas sociais e demográficos como a China e a Índia. O caso chinês salta aos olhos. A partir de 1949, por quase meio século, a China tornou-se uma das mecas do comunismo. E, não por acaso, um dos países mais miseráveis do mundo. Nos últimos dez anos, abandonando aquele sistema econômico, a percentagem da população que vive com menos de um dólar diário caiu de 61 para 17 por cento e trezentos milhões de pessoas saíram da linha da miséria! E note-se: sob repugnante totalitarismo político e com o mais desqualificado capitalismo do planeta. Enquanto isso, nós, os ibero-americanos, devido ao nosso absurdo modelo político, nosso populismo, nosso patrimonialismo e inigualável aptidão para sermos enganados pelos ouvidos, ainda estamos na periferia do jogo. A única exceção regional cabe ao Chile, que ocupa, entre os países do mundo, a 11ª posição no Índice de Liberdade Econômica e o 1º lugar no Índice de Desenvolvimento Humano do subcontinente. Chego, enfim, ao ponto que pretendia. De fato, modelos e sistemas não são inocentes. Há "pecados" estruturais. Sistemas e modelos produzem conseqüências boas ou más, segundo a inteligência de suas concepções. Eis por que não me canso de apontar os defeitos dos modelos da América Ibérica. Eles são bem diferentes, aliás, daqueles que, adotados na península-mãe após sua redemocratização, rapidamente levaram Espanha e Portugal ao Primeiro Mundo. Assim como a economia socialista só ampliou a miséria que pretendia eliminar, assim também as teses e os modelos políticos em voga no Brasil e arredores jogam contra a prosperidade dos nossos povos, contra nossas possibilidades de vencer a pobreza e estimulam a corrupção. Idéias e sistemas melhores geram resultados superiores. Ah! Antes que me esqueça e ironias à parte: o Reino de Deus é outra coisa.


Percival Puggina (Zero Hora, 20/07/2008)
LEITURAS AFINS:
Darcy Bessone. O Papel do Estado no Domínio da Economia Capitalista. Editora Imprensa Oficial MG. 1999. R$ 32,50.
Paul Singer. O Capitalismo - Sua Evolução, sua Lógica e sua Dinâmica . Editora Moderna. 1987. R$ 25,00

NA MEMÓRIA: A MAIORIDADE DE DOM PEDRO


Em 23 de julho de 1840, Dom Pedro de Alcântara se tornava Imperador aos 14 anos de idade.
Desde 1835, a idéia de antecipar a maioridade já havia surgido no cenário político da Corte. Proprietários de escravos e de terras estavam assustados com a experiência de descentralização ocorrida durante o Período Regencial, que resultara em tantas revoltas sociais. O restabelecimento da autoridade monárquica era visto como a solução para a crise política.
Os liberais ou progressistas, fora do poder desde a renúncia do Regente
Feijó, apoiaram a idéia, esperando voltar ao governo. Os conservadores ou regressistas viam a proposta de antecipação como forma de consolidar a Monarquia e de preservar a unidade do Império. No Governo, desde a eleição de Pedro de Araújo Lima para o cargo de Regente Uno do Império, os conservadores pareciam não estar seguros da continuidade do regime regencial, que se mostrara incapaz no combate às várias revoltas e na manutenção da ordem política.
A campanha ganhou, ainda, o apoio dos "palacianos", também conhecidos como
áulicos, grupo ligado diretamente à Corte e liderado pelo conservador Aureliano Coutinho. Esse grupo político ficou conhecido com Clube da Joana por reunir-se freqüentemente na residência do mordomo da Casa Imperial, Paulo Barbosa da Silva, situada nas proximidades da Quinta da Boa Vista e perto do Rio da Joana. Os "palacianos" exerciam grande influência sobre a família real e sobre o Príncipe herdeiro, e sempre desejaram ver Pedro de Alcântara coroado.
Para os conservadores ou regressistas a desordem reinante devia-se aos excessos de liberdade ocasionados pelo
Ato Adicional e por outras medidas, como o Código do Processo Criminal de 1832. Pretendendo diminuir os poderes dados às assembléias provinciais, enviaram ao Legislativo a Lei Interpretativa do Ato Adicional, que, após três anos de discussões e debates foi aprovada a 12 de maio de 1840.
Em abril de 1840, por proposta do senador José Martiniano de Alencar, pai do romancista José de Alencar, foi criada a Sociedade Promotora da
Maioridade, originalmente uma sociedade secreta que logo se tornou pública, passando a se chamar apenas Clube da Maioridade. Antônio Carlos de Andrada, um dos líderes do Partido Progressista, foi escolhido presidente, aproximando-se cada vez mais dos palacianos.
Os regressistas ou conservadores procuraram cercar a proposta de antecipação com inúmeros cuidados, restaurando a mística da figura imperial, o protocolo e as pompas reais nas solenidades públicas. Foi restabelecido o beija-mão, saudação que simbolizava o reconhecimento do Imperador por seus súditos. O próprio Regente Araújo Lima, na festa da Santa Cruz, à porta da igreja, inclinou-se ante o Imperador, beijando-lhe a mão, fato que, segundo o conservador Justiniano José da Rocha, provocou "na cidade a exaltação em uns, a indignação em outros e a surpresa de todos."
A campanha pela antecipação ganhou a Câmara, o Senado, e as praças. Manifestações populares em versos e em quadrinhas podiam ser ouvidas nos salões e nas ruas.
No dia 21 de julho de 1840, os representantes do Partido Progressista, ou Liberal, liderados por Antônio Carlos, apresentaram à Assembléia Geral um projeto de declaração da maioridade, antecipando o início do Governo
pessoal de D. Pedro II. O Governo regencial, procurando ganhar tempo, tentou evitar a votação, adiando a abertura das sessões para novembro. Inconformados, os deputados, com o apoio do Senado, formaram uma comissão que foi ao palácio de São Cristóvão pedir ao jovem Príncipe herdeiro que concordasse em assumir o Governo. Ele aceitou e, em 23 de julho de 1840, prestou juramento na Assembléia Geral.
"Juro manter a religião Católica Apostólica Romana, a integridade e indivisibilidade do Império, observar e fazer observar a Constituição política da nação brasileira, e mais leis do Império, e prover ao bem geral do Brasil, quanto em mim couber"
A antecipação da maioridade restabeleceu a paz no Império. A Regência foi extinta, e o Governo foi entregue a seu segundo Imperador, D. Pedro II, que completaria 15 anos no dia 2 de dezembro.
A sagração e coroação de D. Pedro II foi marcada para 18 de julho de 1841. A cidade do
Rio de Janeiro foi cuidadosamente embelezada para a cerimônia. Muitas obras foram realizadas com grandes gastos para os cofres públicos. As festas duraram muitos dias, encerrando-se no dia 24 de julho com um grande baile de gala no Paço da cidade.
Segundo o historiador Paulo Pereira de Castro, a maioridade não foi um golpe parlamentar, mas um golpe que contou com o consentimento do jovem príncipe. O movimento, liderado por Antônio Carlos de Andrada, transformou-se num golpe palaciano, que terminou com a queda dos conservadores e a volta dos liberais. No dizer de
cronistas do Império, D. Pedro, ao ser consultado pela comissão dos maioristas sobre se queria assumir o trono quando completasse 15 anos, ou imediatamente, teria respondido: "Quero já!”

Leituras afins:

José Murilo de Carvalho. D. Pedro II: Ser ou Não Ser. Companhia das Letras, 2007. R$ 37,90

Heitor Lyra. História de Dom Pedro II. 3 volumes. Editora Itatiais, 1977. R$ 100,00

LIVRO DO DIA - CONTINENTE EM CHAMAS: GLOBALIZAÇÃO E TERRITÓRIO NA AMÉRICA LATINA


Com textos de estudiosos latino-americanos, como Daniel Hiernaux-Nicolas, Delfina Trinca Fighera, Gustavo Montañez Gómez e Luis Riffo Pérez, entre outros, o livro traz análises que buscam mostrar a reorganização dos territórios à luz dos novos dados técnicos e políticos mundiais, além de revelar traços comuns das transformações e crises políticas, econômicas, sociais e territoriais nas perspectivas de cada país. Essas variáveis explicativas, juntas, podem apontar as formas, graus e natureza de cada país na globalização e as respectivas formas de exclusão.
“Continente em chamas – globalização e território na América Latina”, organizado por Maria Laura Silveira (Editora Civilização Brasileira), reúne oito artigos que abordam as diversas transformações econômicas, políticas e sociais e ajudam a entender as turbulências e as mutações em curso no continente. Os autores, todos vinculados à área da geografia, procuram pesquisar os impactos da globalização neoliberal neste vasto e diferenciado espaço territorial.
Ao estudar as experiências recentes do México, Venezuela, Colômbia, Uruguai, Chile, Argentina e Brasil, eles abordam a rica diversidade destes países, mas apontam as convergências que integram a região. “Na globalização, a América Latina mostra, mais uma vez, que não é homogênea, que as possibilidades e as mazelas da história do presente atingem-na diferenciadamente, que a lei que permite a mais-valia se faz a partir do uso específico de cada território nacional e que cada sociedade dá valor próprio às coisas, aos homens, às ações. Mas o período atual revela, também, que há um denominador comum no continente: a desvalorização do trabalho, fundamento da pobreza”, explica a organizadora do livro.
No estudo de cada nação, ficam evidentes os efeitos destrutivos e regressivos do neoliberalismo na região. Sob a hegemonia do capital financeiro, este modelo devastou os Estados nacionais, reduziu investimentos nas áreas sociais, desnacionalizou as economias e saqueou suas riquezas, atacou os direitos trabalhistas e gerou mais desemprego, violência e miséria. “Prometendo tirar a América Latina do marasmo, o ideário do Consenso de Washington foi aplicado nos seus rígidos princípios de estabilidade macroeconômica, abertura da economia, redução do papel do Estado e ajuste estrutural. Apresentada como conseqüência inevitável e indesejável do caminho da recuperação dos países, a pobreza foi, na verdade, uma produção deste receituário e, portanto, uma opção política do norte ao sul do continente”, conclui Maria Laura.
O apanhado de cada país é rico em informações. Daniel Hiernaux-Nicolas mostra os estragos causados no México pela “abertura brutal e repentina” da economia. Delfina Fighera prova como a riqueza do petróleo serviu à oligarquia, agravou os índices de pobreza e projetou a forte liderança de Hugo Chávez. Gustavo Montañez analisa o peso do narcotráfico, da explosão de violência e das guerrilhas na Colômbia. Álvaro Gallero aborda a espantosa regressão do “civilizado” Uruguai. Luis Riffo desmistifica a badalada inserção do Chile na globalização neoliberal. Maria Laura relata a destruição imposta pela ditadura financeira na Argentina. Mônica Arroyo estuda o aumento da vulnerabilidade e da dependência da economia no Brasil. Por fim, Lia Osório trata do sistema de Estados e dos limites internacionais da atual globalização.
O livro é bastante plural, inclusive com certas abordagens de viés liberal. Mas as análises e informações contidas nele ajudam a entender as recentes turbulências políticas e sociais no continente e a explicar a tendência em curso de fortalecimento da esquerda da América Latina. A devastação neoliberal, imposta pela ditadura financeira, resultou na explosão de insatisfação e revolta na região. O desejo de mudanças, de superação do neoliberalismo, tem levado os “excluídos” a votarem em militares rebeldes, em operários sindicalistas e em líderes camponeses. A frustração desta esperança, entretanto, pode reverter a alentadora guinada à esquerda da América Latina em luta por soberania, integração, democracia e justiça social.


Editora: Civilização Brasileira
Ano: 2005
Edição: 1
Número de páginas: 287
Acabamento: Brochura
Formato: Médio
Preço: R$ 33,00

CASO MADDIE ARQUIVADO


A Procuradoria-Geral da República (PGR) anunciou hoje o arquivamento do caso da jovem britânica desaparecida no Algarve, Madeleine McCann, uma vez que não foram obtidas provas de que os arguidos no processo tenham praticado qualquer espécie de crime.

Segundo um comunicado hoje emitido pela Procuradoria-Geral da República, "por despacho com data de hoje proferido pelos dois magistrados do Ministério Público competentes para o caso, foi determinado o arquivamento do inquérito relativo ao desaparecimento da menor Madeleine McCann, por não se terem obtido provas da prática de qualquer crime por parte dos arguidos".
Desta forma deixam de ser arguidos do caso tanto os pais da jovem desaparecida, Gerald e Kate, como o amigo da família Robert Murat, não estando agora sob quaisquer medidas de coacção.
A PGR admite que o caso poderá vir a ser reaberto o por iniciativa do Ministério Público ou a requerimento de algum interessado "se surgirem novos elementos de prova que originem diligências sérias, pertinentes e consequentes".
O documento acrescenta que, "decorridos que sejam os prazos legais, o processo poderá ser consultado por qualquer pessoa que nisso revele interesse legítimo, respeitados que sejam o formalismo e limites impostos por lei".


(www.diarioeconomico.com)

AGENDA: I ENCONTRO DE HISTORIADORES SUL-AMERICANOS


A Fundação Alexandre de Gusmão e o Instituto de Pesquisa de Relações Internacionais organizarão o I Encontro de Historiadores Sul-Americanos, "200 Anos de Independência: Olhar o Futuro numa Perspectiva Sul-Americana”, que reunirá doze historiadores, um de cada país da região, com o propósito de promover um debate sobre a evolução histórica e perspectivas das doze nações da América do Sul.Confira abaixo a programação:


Data: 24 de Julho de 2008


Programação:

9 horas - Abertura: Embaixador Jeronimo Moscardo, Presidente da Fundação Alexandre de Gusmão; Embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, Secretário-Geral do Ministério das Relações Exteriores; Embaixador Carlos Henrique Cardim, Diretor do Instituto de Pesquisa de Relações Internacionais.


9 e 30 às 13 horas - Debate
Debatedores:Argentina – Professor Doutor Mário Rapoport – Professor Doutor Amado Cervo (UnB) Chile – Professor Doutor Luciano Tomassini, da Colômbia – Professor Marco Naranjo, da Guiana – Professor Doutor Tato C. Mangar, do Paraguai – Professor Doutor Juan Carlos Herken Krauer, do Peru – Professor Doutor Manuel Burga, do Suriname – Professor Doutor Jerome Egger, do Uruguai – Professor Doutor Gerardo Caetano, da Venezuela.


Convidados: Professor Doutor Gilmar Masiero (UnB); Professora Doutora Maria Hermínia Tavares de Almeida (USP)Professora Doutora Cristina Soreanu Pecequilo (UNESP)Jornalista Mauro Santayana (JB) – falta confirmar; Professor Doutor Eiiti Sato (UnB)Professor Doutor Wanderley Guilherme dos Santos (UCAM)Professor Doutor Willians Gonçalves (UERJ)


Encerramento – 13 horas

Almoço – 13 e 30 horas
(Fonte: FUNAG)

PROPOSTA DOS EUA DETONA NOVA CRISE


Com exigências sobre os mercados emergentes e sem nenhum efeito prático para reduzir as distorções no comércio agrícola, o governo americano apresentou uma oferta de corte de subsídios para tentar salvar a Rodada Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC). Mas a insatisfação de países emergentes acabou detonando verdadeira guerra na reunião de mais de sete horas, ontem, o que colocou a entidade à beira de uma crise e obrigou a reformulação de todo o processo da Rodada Doha. A Casa Branca diz que aceitaria o teto de US$ 15 bilhões por ano na distribuição de recursos a seus produtores rurais, com a condição de que as tarifas de importação nos países emergentes fossem retiradas para bens industriais.Washington foi atacado pelo Brasil e outros países emergentes, que acusam os americanos de estar "reciclando" uma oferta antiga e de manipular o impacto da medida nos próximos anos. A reunião de ontem, em Genebra, para tratar da oferta dos EUA, se transformou em um palco de acusações e colocou a rodada em risco. O encontro acabou em caos e a solução foi cancelar as reuniões de hoje. O diretor da OMC, Pascal Lamy, alertou que as negociações poderiam durar 15 dias. Os países optaram por fazer consultas bilaterais para tentar solucionar a crise. A conferência sobre serviços, que era prevista para amanhã, também foi adiada, numa demonstração de que os problemas são sérios. Por enquanto, o Itamaraty não decretou o fracasso do processo e espera que os americanos façam novas concessões nos próximos dias. Antes do encontro, o chanceler Celso Amorim tentava manter otimismo. "Estamos decepcionados com a oferta, mas é um começo", disse o ministro.


(Jornal do Commercio, 23/07/2008)