terça-feira, 9 de outubro de 2007

O AMOR


A palavra amor (do latim amor) presta-se a múltiplos significados na língua portuguesa. Pode significar afeição, compaixão, misericórdia, ou ainda, inclinação, atração, apetite, paixão, querer bem, satisfação, conquista, desejo, libido, etc. O conceito mais popular de amor envolve, de modo geral, a formação de um vínculo emocional com alguém, ou com algum objeto que seja capaz de receber este comportamento amoroso e alimentar as estimulações sensoriais e psicológicas necessárias para a sua manutenção e motivação.
Fala-se do amor das mais diversas formas: amor físico, amor platônico, amor materno, amor a Deus, amor à vida. É o tipo de amor que tem relação com o caráter da própria pessoa e a motiva a amar (no sentido de querer bem e agir em prol).
As muitas dificuldades que essa diversidade de termos oferece, em conjunto à suposta unidade de significado, ocorrem não só nos idiomas modernos, mas também no grego e no latim. O grego possui outras palavras para amor, cada qual denotando um sentido específico. No latim encontramos amor, dilectio, charitas, bem como Eros, quando se refere ao amor personificado numa deidade.
Amar também tem o sentido de gostar muito, sendo assim possível amar qualquer ser vivo ou objeto.

Amor platônico é uma expressão usada para designar um amor ideal, alheio a interesses ou gozos. Um sentido popular pode ser o de um amor impossível de se realizar, um amor perfeito, ideal, puro, casto. Trata-se, contudo, de uma má interpretação da filosofia de Platão, quando vincula o atributo "platônico" ao sentido de algo existente apenas no plano das idéias. Porque Idéia em Platão não é uma cogitação da razão ou da fantasia humana. É a realidade essencial. O mundo da matéria seria apenas uma sombra que lembraria a luz da verdade essencial.
Disso pode-se concluir que o amor Platônico é uma interpretação equivocada do conceito de Amor na filosofia de Platão. O amor em Platão é falta. Ou seja, o amante busca no amado a Idéia - verdade essencial - que não possui. Nisto supre sua falta e se torna pleno, de modo dialético, recíproco. Nem de longe é a noção de amor covarde que nunca se realizará.
Em contraposição ao conceito de Amor na filosofia de Platão está o conceito de Paixão. A Paixão seria o desejo voltado exclusivamente para o mundo das sombras, abandonando-se a busca da realidade essencial. O amor em Platão não condena o sexo, ou as coisas da vida material.

No amor reside o sentimento de gratidão, instintivo, compaixão, doar-se sem a consciente intenção de esperar algum retorno. É o caso do amor oriundo da troca diária de afeto, tolerância, respeito e zelo, entre os cônjuges. É o caso do amor instintivo da mãe ou do pai pelo filho, do filho pela mãe ou pelo pai.O amor, na verdade não se divide em várias formas de amor (de pai, de mãe, de irmão, de amigos, etc). Só que o amor por cada uma dessas pessoas necessita de um complemento diferente para resistir ao tempo.
Entre amigos, por exemplo, deve haver confiança e empatia. Entre pai, mãe e irmãos deve haver respeito e cumplicidade. Entre marido e mulher os complementos são basicamente os mesmos, mas acrescenta-se á eles o sexo. É o sexo que mantém junto o casal, que faz com que os dois "sejam um". É por isso que muitas vezes casamentos se acabam quando o sexo não é bom ou não existe. Os amantes passam a ser apenas amigos que vivem sob o mesmo teto.
"Amor é o misterioso componente da vida que faz todos os dias terem sol"
"Amar é sentir na felicidade do outro a própria felicidade."

O QUE DEU EM MIM?


"Sempre ostentei a certeza inabalável deque todos os políticos eram inteiramente vagabundos, irrecuperavelmente vagabundos, insofismavelmentevagabundos. A idéia de queeles possam ser apenas meio vagabundos contrariatodo o meu sistema de valores"
Mônica Veloso está na capa da Playboy. No alto da página, à altura de seu gogó, a menos de 10 centímetros de sua célebre tatuagem de borboleta, destaca-se a seguinte frase dita por mim numa entrevista: "Políticos são todos meio vagabundos".
Meio vagabundos? O que deu em mim? Estou perdendo o azedume? Estou perdendo o discernimento? Sempre ostentei a certeza inabalável de que todos os políticos eram inteiramente vagabundos, irrecuperavelmente vagabundos, insofismavelmente vagabundos. A idéia de que eles possam ser apenas meio vagabundos contraria todo o meu sistema de valores. Quem é meio vagabundo possui outra metade que, em tese, pode ser um tantinho menos vagabunda. Isso atenta contra todas as minhas crenças. Em teoria política, sou menos Tocqueville e mais W.C. Fields, o maior de todos os pensadores da matéria.
A frase sobre a vagabundice dos políticos reproduzida pela Playboy se referia a Lula. A quem mais poderia referir-se, tendo sido pronunciada por mim, o mais conhecido lulófobo do planeta? Se eu considerasse os políticos apenas meio vagabundos, conforme declarei à revista, teria caído na mesma cilada de outros jornalistas e parajornalistas, que passaram os últimos trinta anos alimentando o engodo de que Lula era diferente dos demais políticos. Eu fiz o contrário: repeti o tempo todo que ele era igual a José Sarney, a Fernando Collor, a Jader Barbalho, a Paulo Maluf, a Renan Calheiros. O mesmo Renan Calheiros que, nas páginas da Playboy, aparece promiscuamente ensanduichado entre mim, o lobista da Mendes Júnior e Mônica Veloso.
Sempre me arrependo de dar entrevistas. Em primeiro lugar, porque tenho pouco a dizer. Em segundo lugar, porque acabo piorando esse pouco, como no caso da frase sobre os políticos meio vagabundos. Só dei a entrevista à Playboy para tentar vender meia dúzia de cópias a mais de meu livro de crônicas sobre as estripulias do lulismo. No livro, eu – o cronista em primeira pessoa – represento o heróico papel de caçador. Lula é a caça. Como caçador, meu desempenho é semelhante ao do vice-presidente americano Dick Cheney, que, embriagado, acertou um tiro no rosto de um de seus melhores amigos. Suponho que Dick Cheney recorde o episódio com carinho, assim como eu recordo com carinho as estripulias lulistas.
Ainda há quem esteja disposto a se perverter em favor de Lula, como os 34 fascistóides que, na última quinta-feira, incendiaram cópias de VEJA na frente da sede da Editora Abril, no Rio de Janeiro. Mas o que pode acabar prevalecendo no Brasil, com um mínimo de sorte, é o conceito radicalmente democrático de que precisamos incrementar os mecanismos de alerta contra os políticos. Porque todos eles – é um fato – são vagabundos.

BANCO DEL SUR: ALGUÉM DUVIDA DE SEUS PROPÓSITOS?


O ministro das Finaças da Bolívia, Luis Arce, anunciou que o Banco do Sul, propuesto pelo presidente de Venezuela, Hugo Chávez, conta com o respaldo da Bolívia e da Argentina e, provavelmente, do Equador e do Brasil. E surgiu depois de cinco anos de crescimento econômico na região, que permitiu ao Brasil e à Argentina pagar antecipadamente ao FMI 26 bilhões de dólares em 2006.
Arce disse que a proposta de Chávez vai cubrir o vazio que pouco a pouico estão deixando os organismos multilaterais tradicionais. "A concessão de empréstimos foi reduzida e essa é um golpe mortal para países como os nossos", disse Arce. "Na América do Sul necessitamos de um organismo financeiro que solucione o problema da concessão de empréstimos que está sendo fechada", agregou.
O ministro da Fazenda brasileiro, Guido Mantega, classificou de "interessante" a iniciativa venezuelana, porque poderia aumentar o volume financeiro para projetos de integração regional.
O ministro das Finanças da Venezuela, Rodrigo Cabeza, disse que o "Banco do Sul" teria um capital inicial de 7 bilhões de dólares, dos quais 1.400 milhões seriam desembolsados por seu país.
A imprensa local da Argentina publicou que o país poderia contribuir com 10% de suas reservas internacionais de 3.500 milhões de dólares para a iniciativa de Chávez.
O secretário da Fazenda do México, Agustín Carstens, disse que vê com bons olhos a criação do "Banco do Sul" sempre e quando se converta em veículo de cooperação para a região. "Todo esforço de colaboração entre diferentes países sempre é bom", disse Carstens a jornalistas.
O presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento, Luis Alberto Moreno, não quis comentar sobre o plano de Chávez com a imprensa na Guatemala, onde participa da reunião anual do BID.


Fonte: Cadena Global

O GÊNIO


Paul Cézanne (1839-1906), Aix-en-Provence – França.
Cézanne pertencia a uma família tradicional e seu pai, banqueiro e autoritário, não aceitava a idéia do filho ser artista. Mas Cézanne tinha dificuldades para enfrentá-lo. Com o apoio de sua mãe, o pai acabou cedendo ao desejo do filho, que abandonou a faculdade de Direito e viajou a Paris, em 1861, para aperfeiçoar os estudos em pintura. Apesar da presença de seu grande amigo de infância, o (futuro) escritor Émile Zola, Cézanne não conseguiu adaptar-se ao ambiente artístico parisiense e, após seis meses, retornou a Aix e começou a trabalhar no banco do pai. Descontente com sua vida, largou o trabalho e voltou a Paris em 1862, quando passou a receber dinheiro do pai para se manter. Porém, não havia espaço para pintores inovadores em meio à arte acadêmica de Paris. Cézanne foi diversas vezes recusado no Salão Oficial, além de ser reprovado nos exames de ingresso na Escola de Belas Artes de Paris. Isto só veio a agravar sua instabilidade emocional, que o fazia voltar freqüentemente a Aix. Mesmo conhecendo vários artistas, seu modo de ser, irritadiço, tímido e aborrecido, impediu-o de travar relações duráveis com os grupos parisienses, fazendo com que o seu isolamento se tornasse cada vez maior. Em 1886, Cézanne rompeu relações com Zola que este publicou o romance A Obra - no qual o personagem principal é um artista fracassado com pensamentos e personalidade que se assemelhavam aos de Cézanne. Esse episódio trouxe muita dor a Cézanne e somou-se à morte do seu pai no mesmo ano. Passou a viver ainda mais isolado, obstinado em sua busca artística, contrariado com certas opiniões e depressivo. A personalidade anti-social do artista fica visível nas obras em que trata personagens humanos, como em Mulher com cafeteira, na qual a frieza e a rigidez da mulher a aproxima da própria figura da cafeteira. Segundo Márcio Doctors, é este isolamento do artista, sua busca por uma nova verdade para a arte a partir do mergulho em sua solidão intelectual, que irá gerar o mito anti-heróico de Cézanne, um dos mártires do início da Arte Moderna.Mesmo nas obras do período em que esteve junto aos impressionistas, em 1872, é o aspecto solitário das pesquisas de Cézanne que salta aos olhos, a sua singularidade e a dificuldade de aquietar-se com os ideais artísticos de um grupo. O Impressionismo tomava a natureza pelo seu aspecto passageiro e traduzia-a em termos óticos, efeitos de luz e cor. Essa concepção efêmera da natureza não condizia com o pensamento de Cézanne. Por volta de 1878 ele afastou-se dos impressionistas para buscar a permanência da natureza através de sua estrutura construtiva. Começou a desenvolver seu próprio estilo, atento ao aspecto bidimensional da pintura. Cézanne não cria a ilusão do espaço, mas o constrói com objetos, na solidez de suas formas e volumes simplificados em sua essência geométrica. Afirmava que "tudo na natureza se modela como a esfera, o cone e o cilindro", tornando volume e espaço um só corpo estrutural. A cor modela a forma, como podemos observar em Natureza morta com maçãs e laranjas, e a pincelada constrói a cor, como podemos ver em Pirâmide de crânios.Se crises depressivas acompanharam Cézanne por toda sua vida, foi sem dúvida a persistência, forte marca de sua personalidade, uma das principais responsáveis pelo desenvolvimento de sua genialidade artística. Sua pintura, que costuma ser enquadrado entre os pós-impressionistas, abriu novos caminhos para a arte do século XX, e trouxe uma nova concepção de percepção da realidade. Em obras como A montanha de Saint Victoire, o artista prenuncia as pesquisas do Cubismo.

A arte de demitir


A demissão ou renúncia de ministros envolvidos em escândalos pode evitar ou corrigir a perda de popularidade do presidente ou primeiro-ministro, funcionando como um mecanismo corretivo da popularidade.Essa é a tese de Torun Dewan e Keith Dowding, politólogos da London School of Economics, em artigo publicado no “American Journal of Political Science”. Com base nesse estudo sobre a relação entre escândalos políticos e a popularidade de um presidente ou primeiro-ministro, o cientista político Sérgio Abranches analisa como esse modelo se aplica ao caso da relação entre o presidente Lula e os três principais ministros de seu primeiro governo, demitidos por envolvimento em escândalos: José Dirceu, Luiz Gushiken e Antonio Palocci.Em artigo publicado este ano na “American Political Science Review”, o mesmo Torun Dewan e David Myatt, economista da Universidade de Oxford, desenvolveram um modelo formal que analisa as demissões ou a proteção de ministros como uma decisão estratégica do primeiro-ministro ou do presidente, para administrar os efeitos de escândalos na sua popularidade em longo prazo.Embora analisem o governo inglês, os estudiosos dizem que o modelo pode ser utilizado para avaliação de qualquer governo. E Abranches mostra como Lula foi absolutamente bemsucedido nessa estratégia.Como explica Sérgio A b r a n c h e s , D e w a n e Dowding argumentam que, mesmo quando constrangido por acordos de formação de coalizões, o chefe do Executivo tem controle direto sobre a composição de seu Ministério, podendo, portanto, substituir ministros que estão comprometendo o desempenho ou a imagem do governo, por outros que possam ter um efeito positivo sobre sua popularidade, como é o caso brasileiro.Segundo Sérgio Abranches, Dewan e Myatt adicionam, no artigo mais recente, alguns elementos novos “muito interessantes”. O primeiro é que eles diferenciam os ministros “queimados” por envolvimento em escândalos dos ministros “limpos” e mostram que, uma vez “queimado”, o ministro tende a ficar firme no cargo, porque estar no poder é um recurso importante de defesa e “blindagem”.Embora não seja ministro, o presidente do Senado, Renan Calheiros, é figura fundamental na coalizão que sustenta o governo e está utilizando essa tática para enfrentar as acusações que ameaçam cassar-lhe o mandato.Nesses casos, dizem os estudiosos ingleses, o chefe do Executivo, por sua vez, pode decidir proteger esse ministro na primeira “queimada”, na esperança de que o escândalo passe e seja rapidamente esquecido. O ministro fica “queimado” até que o escândalo se dissipe.Mas dificilmente o chefe do Executivo manterá a proteção se o escândalo não passar ou novos escândalos (ou fatos novos do mesmo escândalo) “queimarem” ainda mais o ministro, porque o custo da proteção em popularidade se torna alto demais. Nesse caso, prevalece, segundo os autores, a regra “duas vezes, fora”. É o que pode estar acontecendo com Renan no momento em que seu processo está chegando ao fim.Outro elemento inovador do modelo de Dewan e Myatt, segundo Abranches, diz respeito ao “ativismo na iniciativa de formulação de políticas públicas”. Os autores levantam duas hipóteses relevantes. “A primeira é que governos marcados por chefes de Executivo com alta propensão a substituir ministros para favorecer sua popularidade tendem a ter um índice menor de iniciativa na formulação de políticas e muito menos ousadia”.A propensão do chefe a demitir para se preservar “põe todos os ministros na defensiva e reduz a ação governamental”, explica Abranches.Além disso, se o chefe tende a demitir ministros a quem deu apoio ou prometeu proteger, perde a credibilidade com os substitutos, que já chegam ao governo hipercautelosos e convencidos de que, se forem “queimados”, não terão a proteção do presidente ou primeiro-ministro, in de pe nd en te me nt em en te das promessas que lhe tenham sido feitas por ele.O segundo elemento tem a ver com a estratégia de um ministro que tem como sua melhor defesa o ativismo na ação governamental, e usa o ativismo para receber a proteção do chefe. Segundo o estudo, a proteção se justifica para o chefe do Executivo quando o escândalo não é muito doloroso e o ativismo é importante.Se a capacidade de recuperação do ministro é alta, ministros “queimados” por escândalos de menor envergadura tendem a se recuperar rapidamente, e uma certa dose de proteção tem mais benefício do que custo, em termos do balanço popularidade x eficácia governamental.Sérgio Abranches enquadra nessa categoria o caso do Ministro da Fazenda Antonio Palocci, como veremos.É preciso registrar, ainda, ressalta Abranches, que, como indicaram Dewan e Dowding, na sua análise do caso inglês, a economia também tem um papel importante na determinação da popularidade do governo.No caso do primeiro governo Lula e deste início de segundo mandato, esse papel é claro, analisa: “A velocidade com que Lula recuperou sua popularidade, à medida que se afastou dos principais protagonistas dos escândalos, demitindoos do governo e isolando-se em relação a eles, certamente tem a ver com o progresso do conforto econômico para as classes populares e médias decorrentes do extraordinário desempenho da economia em 2005 e, principalmente, em 2006”.No entanto, ele diz que “não há muitos elementos” que permitam atribuir o desempenho medíocre do governo em várias áreas a essa propensão do presidente a demitir ministros “queimados” em escândalos e descumprir promessas de proteção.“A falta de ativismo das políticas públicas pode pode ter a ver com outros fatores de ordem política e gerencial”, adverte o cientista político.


MERVAL PEREIRA

ETA reacciona a las detenciones de Batasuna atentando contra un escolta


La banda terrorista ETA ha atentado contra Gabriel Giner, escolta de un concejal del PSE, cuando se encontraba libre de servicio. Los terroristas han colocado una bomba lapa en el coche oficial, situado en la Campa Ibaizabal, un pequeño parque del barrio de La Peña, en Bilbao. El escolta, que ha resultado herido, había recorrido en el vehículo unos 400 metros cuando el artefacto hizo explosión.
El secretario de Estado de Seguridad, Antonio Camacho, precisó que las fuerzas del orden trabajan con la hipótesis de que se tratara de una bomba lapa compuesta por amonal situada en los bajos de la parte trasera del vehículo, un Renault Megane blanco, cerca del depósito de gasolina, aunque ha insistido en que la investigación todavía sigue su curso.
La bomba lapa estaba compuesta por un kilo de amonal según fuentes de la investigación citadas por Efe. El artefacto estalló alrededor de la 13.30 horas en la calle Zamakola. El tramo que había recorrido el escolta era llano por lo que el artefacto podría llevar un mecanismo de péndulo que hace estallar el explosivo cuando hay una cuesta o un bache en la calzada, aunque esta hipótesis todavía no ha sido confirmada de forma definitiva.
Antonio Camacho ha explicado que "el atentado pretendía comprometer la vida de una persona", pero ha añadido que la Ertzaintza "no reunido aún datos suficientes para saber si el objetivo era el escolta o el concejal". En el momento de la explosión en el vehículo sólo iba el guardaespaldas, pero el hecho de que la bomba estuviera colocada en la parte trasera del coche hace que no se descarte la hipótesis de que el objetivo de ETA fuera el edil, que hoy se encontraba de vacaciones.

El guardaespaldas solía proteger al concejal del PSE Juan Carlos Domingo, número dos de la localidad de Galdácano, aunque en el momento del atentado se encontraba libre de servicio. Los médicos le han atendido en el lugar del atentado. Más tarde ha sido trasladado al hospital de Cruces, en Barakaldo. Giner Colás trabaja para la empresa de seguridad Seguriber.
Durante su rueda de prensa, Camacho ha trasladado la solidaridad del Gobierno al escolta herido y ha destacado que "ETA ha vuelto a fracasar". Asimismo, ha añadido que "las fuerzas de Seguridad trabajan hora a hora para garantizar la seguridad ciudadana" y que "nuestra voluntad, es, sin duda, acabar con la banda terrorista".
El líder del PP, Mariano Rajoy, ha confirmado en una entrevista en Onda Cero que Gabriel Giner es militante del PP en su ciudad natal, Zaragoza, a la que tenía previsto regresar próximamente.
Momentos después del atentado algunas agencias informativas distribuyeron una nota en la que daban por muerto al escolta, información que fue recogida por elmundo.es. Posteriormente el Ministerio del Interior desmintió este extremo y precisó que la víctima había resultado herida.
Gabriel Giner, de 36 años y natural de Zaragoza, tiene quemaduras de segundo y tercer grado en la cara y en las manos, aunque sus constantes vitales son "buenas" y ha permanecido, en todo momento, consciente. Presenta, además, una herida incisa no penetrante a nivel escapular derecho y mantiene la situación hemodinámica y respiratoria absolutamente normales, según el parte emitido por el Hospital de Cruces, en cuya Unidad de Grandes Quemados ha quedado ingresado.

La onda expansiva causó heridas leves a otras tres personas que fueron atendidas en el lugar del atentado por los servicios sanitarios y que presentaban lesiones localizadas en los oídos, indicó la Ertzaintza. La explosión, que calcinó el coche del escolta, alcanzó también a otros vehículos y contenedores cercanos.
Vecinos del barrio de La Peña explicaron que el escolta herido salió por su propio pie tras las explosión registrada en su vehículo y estuvo respondiendo a las preguntas de un agente de la Policía Municipal.
Un vecino, que llegó al lugar de los hechos "justo después de la explosión", relató que vio "un coche en llamas y un hombre herido de 1,80 de altura con quemaduras importantes en la cara". El escolta, según indicó, "estaba sentado en un parque" situado al lado de donde se produjo la explosión, y podía caminar.
Encarcelamiento de la cúpula de Batasuna
Es el primer atentado de ETA desde que el juez de la Audiencia Nacional, Baltasar Garzón enviara a prisión a 17 miembros de la cúpula de Batasuna, el pasado domingo. Después de que se efectuaran las detenciones el pasado jueves,el dirigente 'abertzale' que no fue detenido, Pernando Barrena, advirtió de "los tiempos oscuros" y del "nuevo ciclo de violencia" que se avecinan.
Tanto para Garzón como para el director general de la Policía y la Guardia Civil, Joan Mesquida, la ilegalizada formación ha mostrado que, desde la ruptura del alto el fuego, no tiene la voluntad de "acabar con la violencia terrorista", sino "coadyuvar renovadamente a la consecución de los fines" de ETA "por medio del recurso a la violencia".
Esta misma mañana, el ministro del Interior, Alfredo Pérez Rubalcaba, anunciaba que se han extremado las medidas de seguridad especialmente en Madrid, ante la posibilidad de que ETA pretenda cometer un atentado el próximo viernes 12, día de la Fiesta Nacional.
En este sentido, el titular de Interior recordó que ETA intentó atentar en Madrid durante el pasado debate sobre el estado de la Nación.
Además del atentado en Bilbao contra Gabriel Giner, tras la ruptura del alto el fuego, ETA ha intentado atentar en otras siete ocasiones. Sólo consiguió materializar dos; una el pasado 25 de septiembre, cuando explotó una bomba junto a la comisaría de la localidad guipuzcoana de Zarautz, y otra el 24 de agosto, contra el cuartel de la Guardia Civil de Durango, donde dos agentes resultaron heridos leves.
FONTE: EL MUNDO (ESPANHA)

BÁRBAROS DO SÉCULO XXI




Imagens do pan-arabismo totalitário, uma tendência que nega o passado, a cultura e tolerância árabes – mas cresce em muitas partes do mundo, em outro sinal de que o fundamentalismo é uma das grandes ameaças à humanidade, no século 21
Junto com a onda do fundamentalismo islâmico, surgiu uma onda de pan-arabismo racista e totalitário − e, ao menos num caso, genocida. O sinal mais trágico nesse sentido vem do Darfur, onde, como se sabe, bandos armados de etnia árabe estão perpetrando um verdadeiro genocídio das populações de origem africana. O Darfur é o caso mais terrível: mas denúncias graves de racismo e opressão das minorias não-árabes surgem em muitos outros Países, desde a Somália até a Argélia.
As duas ondas, de fundamentalismo e de racismo pan-árabe, são ligadas, paralelas, sincrônicas, e muitas vezes elas se justificam uma à outra. A implementação forçosa e brutal do Corão e dos preceitos salafistas reforçam e, muitas vezes, justificam a aniquilação cultural, social e espiritual de outros povos e, nos casos mais graves, até a eliminação física.
No caso do Darfur, a matriz racista é claríssima, embora seja misturada com a disputa (econômica) pela posse do território. As tribos árabes nômades do deserto sudanês estão tentando (e conseguindo, graças à inércia e ao descaso internacional) massacrar e expulsar de suas terras as tribos negras de cultivadores, com o apoio − ou no mínimo a complacência − do governo central de Kartum, que barra as iniciativas internacionais de socorro. Há uma tentativa clara de fazer daquela região uma área só árabe. Nenhum governo árabe se manifestou a respeito. Em compensação, o intelectual palestino Khaled al-Kharoub escreveu no jornal Al-Ittihad (Emirados Árabes) um artigo intitulado: “Os árabes e a indiferença racista a respeito da tragédia no Darfur”. “Nenhum árabe”, escreve al-Kharoub “pode se declarar inocente da indiferença racista em relação aos crimes contra a humanidade cometidos no Darfur, nos últimos quatro anos, bem diante dos olhos de árabes e muçulmanos. A maioria de nós contenta-se em repetir o velho chavão da conspiração ocidental ou israelense contra o Sudão”.
Na Somália, os senhores da guerra islamistas estão implementando o wahabismo da forma mais brutal, deturpando a cultura somali e forçando a transformação de um país africano numa “colônia” arabizada sem nenhuma ligação com as raízes da população, onde os árabes são uma pequena minoria.



Roberto Cattani - Le Monde Diplomatique Brasil

sábado, 8 de setembro de 2007

A IDIOTICE LEVADA AO EXTREMO


Já faz tempo que não é mais possível disfarçar o esquerdismo da grande mídia e, aliado a isso, como todo bom comunista, o expediente da mentira e da falsidade para projetar suas idéias. Mas domingo último, dia 14/11, a Rede Globo se superou. Numa reportagem sobre o guerrilheiro argentino Ernesto Guevara de la Serna, o “Che”, no programa semanal da família brasileira, o Fantástico, não apenas elevou o sanguinário ao nível de herói de guerra - como era de se esperar -, mas efetivamente o elevou à categoria de santo. Um verdadeiro atentado contra o bom senso. Em resumo, a matéria do Fantástico foi um verdadeiro rito de beatificação de um sujeito que além de ateu, como todo bom marxista/comunista, era também anticristão.
Para quem não sabe, Che Guevara iniciou sua vida pública como companheiro de Fidel Castro, na guerrilha de Sierra Maestra, que prometia devolver a liberdade aos cubanos (à época vítimas de outra ditadura, a de Fulgencio Batista), mas que terminou por implantar um regime comunista de partido único, na ilha-prisão.
Vitoriosa a Revolução, Guevara participou de centenas de fuzilamentos de partidários de Fulgencio Batista no “Paredón”. Depois foi premiado com a Presidência do Banco Central de Cuba. Como não entendia nada de economia, mas só de guerrilha e de fuzilamentos, acabou por arruinar o banco, agravando ainda mais o estado lastimável da economia cubana. Depois foi mandado para fazer outras revoluções na Venezuela, Congo e Bolívia. Nesses países, muita gente inocente foi imolada. Por essa época, década 60 do século passado, Che Guevara elogiou, através dos meios de comunicação, a Revolução Cultural chinesa, feita por Mao Tsé Tung. Nessa Revolução Cultural, o tirano chinês comandou a morte de milhares de pessoas. Teve casos de chineses que morreram porque usavam calça jeans.
Não obstante, a ideologia cruelmente assassina que motivava Che e seus camaradas nem sequer foi mencionada pelo Fantástico, que preferiu entrevistar uma senhora boliviana que construiu um altar para cultuar o assassino e louvar a alma desse sujeito realmente divino.
Há tempos que a sociedade está sendo vítima de uma grande campanha de inversão de valores, onde policial se tornou sinônimo de bandido, militar sinônimo de sujeito cruel e despudorado, ao mesmo tempo em que bandido tornou-se sinônimo de justiceiro excluído e, agora, assassino passou a ser santo.
Pior que isso é que, sobretudo os jovens que assistem um crime televisivo como aquele patrocinado pelo Fantástico acabam sendo vítimas da desinformação e vão procurar inspirações para suas almas bem intencionadas em sóciopatas travestidos de justiceiros e amantes da paz. Não é à toa que Che Guevara tornou-se um ícone para a juventude bem pensante, transformado-a em idiotas úteis a serviço de uma ideologia funesta.
Talvez, domingo, o culto seja para outra alma divina que, esquecida pela Igreja, a mídia presta socorro e o santifica no altar do secularismo.


Por Lucas Mendes.


P.S: Espero que algum incauto que ainda idealiza esse ser funesto leia este post.

JACK, O ESTRIPADOR: BIZARRO OU GENIAL?


Morta em 8 de setembro de 1888, Annie Chapman (nome de solteira: Eliza Ann Smith; apelido: Dark Annie), foi a segunda vítima de Jack, o Estripador.

Jack o Estripador (Jack the Ripper) foi o pseudônimo dado a um serial killer não-identificado que agiu no miserável bairro de Whitechapel em Londres na segunda metade de 1888. O nome foi tirado de uma carta enviada por alguém que dizia ser o assassino, publicada nos jornais na época dos crimes. Embora diversas teorias tenham surgido desde então, a identidade de Jack o Estripador nunca pôde ser determinada.
As lendas envolvendo seus crimes tornaram-se um emaranhado complexo de verdadeiras pesquisas históricas, dando combustível a teorias conspiratórias e folclores duvidosos. A identidade não confirmada do assassino fez com que vários comentaristas, historiadores e leigos apontassem seus respectivos dedos na direção de vários suspeitos. Os jornais (cuja circulação crescia consideravelmente durante aquela época) deram ampla cobertura ao caso devido à natureza selvagem dos crimes e ao fracasso da polícia de efetuar a captura do criminoso, que tornou-se notório justamente por conseguir escapar impune.
Suas vítimas eram mulheres que ganhavam a vida como prostitutas. Os assassinatos típicos do Estripador eram cometidos em locais públicos e semi-desertos; a garganta da vítima era cortada, e depois o cadáver submetido a mutilações no abdômen ou em outras partes corporais. Muitos acreditam que as vítimas eram primeiro estranguladas, para não provocar barulhos. Devido à natureza dos ferimentos em algumas dessas supostas vítimas, muitas delas com os órgãos internos removidos, especula-se que o assassino tinha algum conhecimento médico ou cirúrgico, ou que até mesmo fosse um açougueiro, embora este ponto, assim como na maioria das suposições sobre o criminoso e os fatos que o circundaram, seja uma questão controversa.

O TERROR RONDA A CASA BRANCA


Osama bin Laden disse em um novo vídeo, alusivo ao sexto aniversário dos atentados de 11 de setembro de 2001, que os Estados Unidos continuam vulneráveis, apesar do seu poderio militar e econômico, mas não fez ameaças específicas.
Em seu primeiro vídeo em quase três anos, o líder da Al Qaeda diz que o presidente dos EUA, George W. Bush, repete os erros da ex-União Soviética ao não admitir a derrota no Iraque.
Num sinal de que a gravação de quase 30 minutos é recente, Bin Laden cita o novo primeiro-ministro da França, Nicolas Sarkozy, e o novo primeiro-ministro britânico, Gordon Brown.
A TV Reuters obteve as imagens junto a um europeu que monitora a Internet. Sua autenticidade não pôde ser comprovada, mas o trecho visto pela Reuters coincide com uma foto que havia sido divulgada pela Al Qaeda em um site antecipando a exibição.
"Apesar de (os Estados Unidos da) América ser a maior potência econômica mundial e possuir o arsenal militar mais poderoso e moderno, e apesar de gastar nesta guerra e no seu Exército mais do que o mundo todo gasta em seus Exércitos, e sendo o principal Estado influenciando as políticas mundiais, 19 jovens conseguiram mudar a direção da sua bússola", disse Bin Laden no vídeo, referindo-se aos sequestradores do 11 de Setembro.
"O tema dos mujahideen se tornou uma parte inseparável do discurso do seu líder e os efeitos e sinais não estão escondidos. Desde o 11 (de setembro), muitas das políticas da América ficaram sob a influência dos mujahideen."
Bin Laden aparece sentado a uma mesa, vestindo uma túnica branca e bege e um turbante branco. Atrás dele, há um cartaz que diz, em inglês: "Uma mensagem do xeque Osama bin Laden ao povo norte-americano."
O militante de origem saudita parece cansado e pálido, mas sua barba está bem mais curta e escura do que na última aparição.
Tony Fratto, porta-voz da Casa Branca, disse que a gravação demonstra que "os terroristas estão por aí e estão tentando ativamente matar norte-americanos e ameaçar nossos interesses."
O último vídeo de Bin Laden havia surgido na véspera da eleição presidencial dos EUA em 2004. Desde então, várias gravações de áudio foram atribuídas a ele, sendo a última em julho de 2006, quando prometeu que a Al Qaeda combateria os EUA no mundo todo.
Algumas fontes de inteligência sugerem que Bin Laden tenha minimizado suas aparições para maximizar seu impacto, talvez reservando a próxima para coincidir com algum ataque dramático.
Outros dizem que o quinquagenário Bin Laden, que supostamente sofre de um grave problema renal, pode estar doente ou escondido demais para fazer e difundir gravações freqüentes.

(Fonte: Agência Reuters)

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

COM MEDO DE "DAR COM OS BURROS N'ÁGUA"


A retirada segura das tropas americanas do Iraque vem sendo o assunto mais quente dos debates entre os pré-candidatos democratas à presidência. Mas a falta de consenso entre eles sobre a melhor maneira de promover essa retirada vem colocando em dúvida a própria competência dos democratas. O debate realizado em Iowa provou que o atoleiro iraquiano dividiu os 8 candidatos democratas em dois grupos distintos. E, pela correlação de forças entre esses grupos, já se pode antever a estratégia que um futuro presidente democratá irá adotar no Iraque.
O primeiro grupo tem seu nome mais forte no governador do Novo México, Bill Richardson, atualmente em quarto lugar na preferência dos democratas. Se for eleito em 2008, Richardson pretende promover a retirada total das tropas em oito meses. Ele argumenta que não há possibilidade de pacificar o Iraque enquanto houver um único soldado americano por lá. Essa tese também é defendida pelos sunitas e por parte dos xiitas, ou seja, encontra apoio em atores estratégicos para o processo de paz.
Já o segundo grupo tem como expoente mais destacado o senador Joe Biden. Mesmo sem chances de conquistar a indicação do partido, ele é bastante influente. Na sua visão, não há logística que permita a saída segura das tropas no tempo previsto por Bill Richardson. Além disso, Biden acredita que será preciso manter uma força residual no país enquanto se negocia o grande acordo para reconciliar as três grandes etnias iraquianas. Posição semelhante tem Hillary Clinton, a favorita até aqui entre os democratas.

Coube a Bill Richardson a tarefa de provocar o embate entre os dois grupos no último debate. Ele perguntou a Joe Biden qual o tamanho dessa força residual: "Seriam 25 mil, 50 mil ou 75 mil soldados?". Biden não quis oferecer um número preciso. No seu plano para o Iraque, ele estima esse contigente em 20 mil soldados (1/6 da força atual). Mas a questão principal, segundo o senador, é como sair do Iraque sem deixar o país em frangalhos. Só a fixação de zonas autônomas para curdos, sunitas e xiitas pode criar as condições, na sua visão, para pacificar o país.
Nesse ponto, Hillary se distancia de Joe Biden. Ela insiste na tecla de que que é preciso pressionar (ainda mais) o governo iraquiano para apressar a aprovação de medidas necessárias para a união nacional, como a polêmica lei do petróleo. Barak Obama, por sua vez, assume uma posição intermediária entre Hillary Clinton e Joe Biden. Ele não pretende retirar todas as tropas do Iraque, mas não quer que a criação de zonas autônomas seja uma imposição americana. "Porque se isso acontecer", afirma Obama, "a situação pode piorar ainda mais".
Resumindo a opereta, a retirada do Iraque é o ponto-chave para a eleição de um presidente democrata. O partido não pode abrir mão disso. A questão é como será conduzida essa retirada. Considerando que o grupo de Hillary e Obama tem mais "bala na agulha" e que um dos dois deve ser o novo presidente, não é nenhuma maluquice prever que os democratas vão levar cerca de 2 anos para retirar a maior parte das tropas. Mas a tal "força residual" permanecerá.
Quanto às zonas autônomas, há uma forte probabilidade de que venham a fazer parte da estratégia do próximo presidente. Principalmente se Hillary escolher Joe Biden como seu secretário de Estado.

A ÁGUIA DE HAIA


A Segunda Conferência da Paz foi um dos momentos culminantes da carreira de Rui Barbosa. Designado embaixador extraordinário e plenipotenciário e delegado para representar o Brasil em Haia, deixou sua marca, firmando o dogma da igualdade jurídica dos Estados. Fortes ou francos, ricos ou pobres, grandes ou pequenos, o que estava em jogo era a igualdade e a soberania. A participação de Rui na Conferência dá-lhe a reputação de defensor das pequenas potências.

Sua participação tem início em 1906, quando o diplomata Manuel de Oliveira Lima indica na imprensa o seu nome para representante do Brasil na Segunda Conferência Internacional da Paz, em Haia, tendo o apoio de Edmundo Bittencourt do jornal Correio da Manhã.

Em maio de 1907, Rui Barbosa, vice-presidente do Senado, é nomeado embaixador extraordinário e plenipotenciário e delegado do Brasil. Ele chega a Haia em junho, onde será presidente de honra da 1ª Comissão, e membro inscrito nas 1ª e 4ª comissões.

A atuação de Rui Barbosa foi decisiva na recusa da classificação das nações nos dois tribunais internacionais a serem criados. Pronunciou-se inúmeras vezes contra o projeto do tribunal de presas, que dividia os países de acordo com a tonelagem de suas marinhas mercantes, mostrando a injustiça que se cometia principalmente com as nações latino-americanas. Em seguida, descobriu que o projeto norteamericano para a composição do tribunal de arbitragem era ainda mais injusto.
Imediatamente Rui Barbosa comunicou ao barão do Rio Branco a distribuição de juízes proposta dizendo que se "tamanha e amarga humilhação" se verificasse, não haveria como permanecer dignamente na Conferência. O projeto apresentado pelos Estados Unidos, Inglaterra e Alemanha não mudou o teor de desigualdade na representação das nações no tribunail.
Rui Barbosa, de acordo com suas convicções e com as instruções recebidas do Brasil, já havia se manifestado contra a arbitragem obrigatória e tornou-se ainda mais incisivo ao perceber que os instrumentos da arbitragem estariam dominados pelas grandes potências. Assumiu então a posição de defender o princípio da igualdade entre os Estados soberanos e a resistência à depreciação da América Latina.

Com a adesão de muitos outros Estados, o princípio da igualdade foi vitorioso e a constituição do tribunal de arbitragem foi aprovada sem que a sua composição ficasse determinada. Foi uma vitória da habilidade de Rui Barbosa e da representação brasileira, mas não uma conquista permanente, pois, após as grandes guerras, o sistema internacional seria constituído a partir de instituições que consolidariam a hierarquização e a desigualdade entre as nações.

"Vi todas as nações do mundo reunidas, e aprendi a não me envergonhar da minha. Medindo de perto os grandes e os fortes, achei-os menores e mais fracos do que a justiça e o direito" Rui Barbosa

VAN GOGH E NIETZSCHE


Estou em rápida passagem por Amsterdã e hoje tive a rara oportunidade de visitar o museu dedicado a Van Gogh. Em belíssimo prédio modernista, que contrasta com a arquitetura tradicional da cidade, aloja o melhor do pintor holandês. Algumas de suas telas causaram-me forte impressão e não pude deixar de meditar sobre o significado delas, bem como da biografia do pintor, um grande gênio.
Os paralelos com Nietzsche saltam aos olhos. Se este morreu louco Van Gogh tinha seus momentos de franca loucura, chegando a se internar numa clínica na França. Em seus acessos chegava ao limite da auto-mutilação, tendo certa vez cortado fora um pedaço da orelha esquerda. Ficava louco de pedra. Por fim, atirou em si mesmo em meados de 1890 num gesto de loucura final. Um ano antes Nietzsche afundou-se na própria insanidade, dela nunca mais voltando. Ambos foram um fracasso comercial durante a própria existência, ninguém comprava suas obras.
O paralelo pode ser estendido também ao poeta Walt Whitman, formando o trio que moldou a filosofia, a arte e a poesia no século XX. Viveu no mesmo interregno de tempo. São, esses homens, o requinte da modernidade, seu produto mais notável. Gravada em uma parede do museu pude ler que Van Gogh dizia que sua técnica era “natural”, a palavra mágica da modernidade, repetida para dar ênfase ao uso da razão, em oposição a qualquer coisa que tivesse conteúdo religioso-transcendente. Quão diferentes são seus temas daqueles dos tempos renascentistas! Deus está fora de sua agenda (a exceção é o quadro Pietà, que mostra um Cristo disforme, o luto fechado da Mãe, a sombra sobre o céu visto desde dentro do Sepulcro, como se o Mal o levasse e ao Mundo junto. É o Mal, e não Cristo, quem está verdadeiramente compondo o quadro). Só homens, mulheres e a paisagens são retratados.
Whitman, por seu turno, cantou o Mal como ninguém o fez, como pude demonstrar em recente comentário sobre sua obra. Nietzsche e Van Gogh morreram loucos. Whitman, empobrecido e esquecido, morreu solitário até mais não poder. Será o “naturalismo” (uso a palavra no contexto, e não como o termo técnico empregado na história da arte) uma forma de loucura? Ou será a modernidade ela mesma uma loucura que devora, um a um, os seus autores?
Não escapa aos olhos de quem vê os quadros do pintor que seu traço está carregado de sombras do Além, que nada têm de “natural”. A Terra é retratada devastada, assim como seus personagens. É sua técnica, na verdade, o anti-naturalismo, apropriadamente apelidada de impressionismo. Somente um estudo sob a ótica da psicologia analítica poderia revelar o sentido (se há algum) do conjunto da obra. Van Gogh pintou a loucura do Ocidente moderno mais do que a própria loucura. Sua mente delicada e triste queimou-se ao revelar essa realidade que se dava aos seus olhos, a realidade das sombras, dos traços desfocados, dos conteúdos tétricos, a morte e o Além como presenças em cada uma das peças. Por isso sua obra é triste, embora emblemática para a compreensão do nosso tempo.
Não me escapou que na peça Noite Estrelada uma lua é retratada em foram de Crescente, símbolo largamente enfatizado por Whitman. Quando há igrejas retratadas é em paisagens de cemitérios, com corvos e outros símbolos das trevas em derredor, o mesmo pássaro preto cantado por Whitman. A impressão que causa é de grande terror, no qual vivia mergulhado. O Mal em ação. Como em Whitman. Como em Nietzsche. Não é ao acaso que escreveu: “A noite é mais ricamente colorida do que o dia”, algo perfeitamente absurdo. Retratou as trevas, não a luz, algo bem paradoxal para um pintor.
Há um elemento de narcisismo em seus muitos auto-retratos. É um símbolo da modernidade, que coloca o Eu como centro de tudo, o perfeito demiurgo a criar o Mundo. É como se o artista quisesse nos dizer que ele criava não apenas o Mundo, mas a si mesmo. Uma pista sobre o pensar desses tempos de decadência do Ocidente. Sua morte trágica nega veementemente essa pretensão da modernidade, que é só arrogância, fogo fátuo, o homem arvorando-se a assumir o lugar de Deus e destruindo-se no processo. Tem sido tragédia sobre tragédia, e não apenas no plano pessoal. Os milhões de mortos do século XX são o resultado de toda essa loucura infernal. Quantos mais morrerão?

(Post do Blog de Nivaldo Cordeiro - http://www.nivaldocordeiro.net/vangoghenietzsche.html)

Até que ponto, a obra de arte é produto da loucura? Como um homem pode manifestar sua loucura na obra? No decorrer dos tempos o artista elabora metamorfoses que imprimem diferentes estilos, provocando imagens fortes no expectador engajado. No entanto, como considerar nesse universo tão amplo da obra de arte elementos tão distintos? Percebe-se que são formadas duas correntes: a primeira, de artistas que agem sob o delirius trmendus, dentre eles Van Gogh. Outros, por sua vez, são profundamentes meticulosos, agem sob a égide da racionalidade e comprometimento com a perfeição do leitmotiv. Dentre esses, pode-se falar em Picasso, alcançando a exaustão das formas; Renoir, na sua leveza calculada e Miguelangelo, em seu árduo trabalho monumental. Seriam todos eles loucos? ou apenas gênios imbuídos em diferentes inspirações? Comente.

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

"Existe apenas um bem, o saber, e apenas um mal, a ignorância" Sócrates


"Tristes são as pessoas e as coisas consideradas sem ênfase. Assim versejou o grande Carlos Drummond de Andrade. A julgar pelo tumulto ideológico que suscitou minha campanha para este calmo sodalício, não sou uma pessoa considerado sem ênfase. Chego a este lugar em idade crepuscular, o que tem a vantagem de permitir-me saborear melhor um dos poucos prazeres - a cultura - que sobrevivem à desconstrução da juventude." trecho do discurso de posse de Roberto Campos na Academia Brasileira de Letras

Espaços de discussão são criados para incentivar a proliferação de idéias férteis, raciocínios dotados de isenção ideológica e interesse crítico, que possibilitem a descoberta de antagonismos, e denunciem o enraízamento de sofismas no cerne do pensamento. Vive-se em um momento delicado da história dos homens, onde as certezas foram substituídas por opiniões frágeis, que não resistem ao menos rigoroso critério investigativo. O interesse pelos elementos formadores de nossa cultura é perdido, sobreposto por uma avalanche de desconstrutivismo e desrazão.

Aos poucos, tornam-se frívolas nossas convicções, tornam-se ridículas e muitas vezes até criminosas nossas atitudes diante da realidade. Somos levados gradualmente ao esquecimento. Como objetos nas sombras, ficamos deformados, acreditando numa beleza que já não vem do belo, e sim, de tendências que são rapidamente substituídas no curso dos acontecimentos.
Ouve-se pouco e quando se ouve, ouve-se mal. Fala-se muito, e diante de platéias surdas, ouve-se aplausos e falsos deuses são venerados.

Este espaço é uma tentativa de expôr pensamentos, investigar temas das mais diferentes naturezas do conhecimento humano, propôr questionamentos. É também uma pausa para contemplar o belo, em todas as suas faces esquecidas, na solidão escondida nesta selva de pedra.

Aproveitem.