Ao retomar as atividades deste blog,
escolhi como tema para o primeiro post, um breve comentário sobre a belíssima
edição da Divina Commedia di Dante Alighieri (1265-1321), coeditada pela
Unicamp e Ateliê Editorial (que já havia editado com muito sucesso grandes
clássicos, tais como Ilíada, de Homero; Eneida, de Virgílio e Os Sertões, do
nosso Euclides):
“Escrito em versos hendecassílabos com
terça-rima, o poema é um desafio para tradutores. A tradução do erudito João
Trentino Ziller – italiano radicado no Brasil – é considerada por especialistas
como a melhor já realizada para o português. O trabalho de Ziller, que consumiu
25 anos, respeita a estrutura rítmica e poética do original, preservando os
hendecassílados e as terças-rimas. O volume traz notas de leitura do professor
e crítico literário João Adolfo Hansen e um texto de João Ziller sobre Dante.”
(Blog da Ateliê Editorial)
Nada mais justo do que ressaltar a indescritível
emoção sentida por este grande admirador do poeta florentino, ao adquirir esta
edição bilíngüe em formato não-convencional. O projeto gráfico é inspirado na
edição renascentista, ricamente ilustrada com 102 desenhos de Sandro Botticelli
(1445-1510),
que adornaram a Commedia em 1490 e que ficaram perdidos por séculos.
O livro, aberto na horizontal,
proporciona uma leitura tal como na edição do século XV. Em cada página, um
canto bilíngüe, acompanhado na página seguinte da respectiva ilustração. A
estrutura permite que o leitor acompanhe o sentido da narrativa, uma vez que o
olhar se desloca na descendente durante a leitura do Inferno e na ascendente, a
partir da passagem do Purgatório ao Paraíso.
Completa o volume o ensaio Ver a Comédia de Botticelli, de Henrique
Piccinato Xavier, designer do livro. Imperdível.
