sábado, 28 de abril de 2012

"...esta selva selvaggia e aspra e forte..."


Ao retomar as atividades deste blog, escolhi como tema para o primeiro post, um breve comentário sobre a belíssima edição da Divina Commedia di Dante Alighieri (1265-1321), coeditada pela Unicamp e Ateliê Editorial (que já havia editado com muito sucesso grandes clássicos, tais como Ilíada, de Homero; Eneida, de Virgílio e Os Sertões, do nosso Euclides):

“Escrito em versos hendecassílabos com terça-rima, o poema é um desafio para tradutores. A tradução do erudito João Trentino Ziller – italiano radicado no Brasil – é considerada por especialistas como a melhor já realizada para o português. O trabalho de Ziller, que consumiu 25 anos, respeita a estrutura rítmica e poética do original, preservando os hendecassílados e as terças-rimas. O volume traz notas de leitura do professor e crítico literário João Adolfo Hansen e um texto de João Ziller sobre Dante.” (Blog da Ateliê Editorial)

Nada mais justo do que ressaltar a indescritível emoção sentida por este grande admirador do poeta florentino, ao adquirir esta edição bilíngüe em formato não-convencional. O projeto gráfico é inspirado na edição renascentista, ricamente ilustrada com 102 desenhos de Sandro Botticelli (1445-1510), que adornaram a Commedia em 1490 e que ficaram perdidos por séculos.

O livro, aberto na horizontal, proporciona uma leitura tal como na edição do século XV. Em cada página, um canto bilíngüe, acompanhado na página seguinte da respectiva ilustração. A estrutura permite que o leitor acompanhe o sentido da narrativa, uma vez que o olhar se desloca na descendente durante a leitura do Inferno e na ascendente, a partir da passagem do Purgatório ao Paraíso.

Completa o volume o ensaio Ver a Comédia de Botticelli, de Henrique Piccinato Xavier, designer do livro. Imperdível.